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Como o Brasil foi afetado pela pandemia de H1N1, a 1ª século 21?

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O novo coronavírus, descoberto em dezembro na China, se espalhou por mais de 160 países em menos de três meses.         Entre 2009 e 2010, houve 53.797 casos de queixas confirmadas no Brasil      Foto: ABR / BBC News Brasil O número de pessoas infectadas já passa de 370 mil, de acordo com os dados mais recentes da Organização Mundial de Saúde (OMS), e mais de 16 milhões de mortos nesta pandemia. Uma rápida escalada do número de casos e de observações observadas no mundo também ocorre no Brasil, onde o primeiro caso foi confirmado em 26 de fevereiro. Em menos de um mês, foram registradas mais de 2,4 milhões de infecções e 57 mortes. Isso vem causar medo e muita incerteza sobre o que virá a seguir, mas esta não é a primeira pandemia na nossa história recente. Há 11 anos, foi descoberto no México um novo vírus influenza que causa uma doença que viria a ser conhecida como gripe suína. Ele espalhou questões de meses para mais de uma centena de países, entre eles o Brasil, e provocou a primeira pandemia no século 21. O desenrolar desses eventos pode não ser tão útil para entender o que podemos esperar nos próximos meses, mas também compreender uma dimensão real do que estamos vivendo. Pandemia começou em porcos no México Os registros históricos apontam que, desde o século 16, o mundo passou por menos três pandemias provocadas por vírus influenza a cada cem anos. A maior delas foi de gripe espanhola, com mais de 50 milhões de mortes no mundo entre 1918 e 1920. O último século 20 foi de gripe de Hong Kong, em 1968, com 1 milhão de mortes fatais. O mundo estava há quatro décadas sem enfrentar uma pandemia quando, em março de 2009, o governo mexicano foi informado sobre o aumento do número de jovens adultos que sofreram de uma doença respiratória aguda. Em pouco tempo, os casos também foram registrados nos Estados Unidos.         A maior pandemia da história recente foi de queixa espanhola, com mais de 20 milhões de mortes no mundo entre 1918 e 1920      Foto: Museu Nacional de Saúde e Medicina / BBC News Brasil No mês seguinte, um novo subtipo do vírus influenza H1N1 foi identificado em amostras de pacientes coletados em dois países. Tratava-se de uma variedade inédita, surgia em animais e era capaz de infectar humanos. Os vírus influenza do grupo A, qualificados ou subtipos do H1N1, identificados em 2009, causam parte, sofrem mutações frequentes e produzem novas cepas contra as quais não têm imunidade. Os coronavírus já demonstraram ter essa capacidade. Esta família de vírus é conhecida desde os anos 1960 e circula em animais, principalmente morcegos. Até agora, sabia-se que seis coronavírus eram capazes de sofrer mutações, saltar uma barreira entre espécies e infectar pessoas – ou um novo coronavírus, batizado oficialmente como Sars-Cov-2, é o único. Até o momento, não se sabe exatamente qual animal foi o ponto de partida para a atual pandemia, mas, em 2009, os porcos cumpriram essa função. Esses animais têm receptores para vírus que infectam animais, aves e seres humanos e são hospedados ideais para, no seu processo de multiplicação, essas variedades passadas por uma recombinação genética e produz um novo vírus que afeta humanos. H1N1 se espalhou rapidamente pelo mundo Para ser capaz de causar uma pandemia, como é chamada uma epidemia na escala global, um vírus também pode ser replicado em seres humanos, ser facilmente transmitido entre os indivíduos da nossa espécie e causar uma doença grave. Foi o que ocorreu com o novo subtipo de H1N1, que, quatro meses depois de ser descoberto, foi divulgado pelo planeta em grande velocidade, por meio do sistema aéreo global, como ocorreu na pandemia atual e chegou a mais de 120 países. Em 11 de junho, um OMS gravou o mundo enfrentado uma pandemia de gripe suína. Seu fim tão sério anunciado pela agência 14 meses depois.         Novo subtipo do H1N1 se originou em porcos no México      Foto: Getty Images / BBC News Brasil Estudos científicos estimam hoje que 11% a 24% da população global na época – entre 700 milhões e 1,7 bilhão de pessoas – tenha contraído ou novo vírus. Um princípio, um OMS, indica que cerca de 18 mil pessoas morrem por causa da gripe suína, mas, em um estudo posterior, esse valor total é de 200 mil. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC, sigla em inglês) calcula esse número que pode chegar a 545,4 mil no primeiro ano de circulação do novo subtipo de H1N1. O OMS apontou no seu último relatório emitido durante uma pandemia de 214 países e territórios registrados casos de gripe suína. No Brasil, não foi diferente – e, como afirma o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, em um estudo realizado junto com outros cientistas brasileiros e publicado em 2009, o país foi “seriamente afetado”. Reconhecimento da transmissão comunitária foi tardio Um OMS decidiu rapidamente, no final de abril desse ano, que o novo subtipo de H1N1 apresentou uma situação de emergência de saúde pública de interesse internacional. Isso levou o Brasil a criar um sistema de monitoramento para casos de queixa suína. Seu alvo era pessoas que apresentavam os sintomas da doença e viajava para o exterior ou entrava em contato com pessoas com essas características. Os sinais da gripe suína são bem semelhantes aos da covid-19, uma doença provocada pelo novo vírus da hepatite C, entre febre e tosse, dificuldade respiratória, dor de cabeça e garganta, mal estar, dores no corpo e calafrios. Os primeiros casos entre brasileiros foram confirmados no início de maio, em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, principalmente entre as pessoas que viajaram para os Estados Unidos, Argentina e Chile. A princípio, era testado no Brasil para novo H1N1 quem apresentava sintomas leves e graves, mas os exames foram realizados depois de ser aplicado apenas em quem tinha mais sintomas graves. Essa mudança ocorreu quando a transmissão comunitária foi confirmada pelo governo federal, em meados de julho, um mês depois do OMS ter declarado uma pandemia. A transmissão comunitária é identificada quando um vírus passa circularmente livremente entre a população e não é mais possível identificar como uma pessoa está infectada. Os estudos apontaram que a confirmação desse tipo de transmissão no Brasil foi feita com atraso em 2009. Uma pesquisa realizada por cientistas do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo (USP) mostrou que, quando isso ocorre, já existem casos de mortes por gripe suína que não foram relacionadas a viajantes. Outro trabalho de cientistas brasileiros, publicado no Caderno de Saúde Pública em 2012, indica que esse tipo de disseminação já ocorre há um mês antes de ser oficialmente declarado. Isso “não gera danos à população”, indica os autores, “mas pode ter sido sobrecarregado como equipes que recebem respostas em caso de epidemia e que ainda estavam dedicadas às pesquisas e busca de localização de casos em situações que já ocorreram em larga escala” . O Brasil teve mais de 53 mil casos O total de casos cresceu exponencialmente no Brasil e atingiu o pico na primeira semana de agosto, três meses depois do primeiro caso confirmado no país. O número de novas infecções passou então a cair, mas manteve os níveis até o final de 2009 – e houve novos casos ao longo do ano seguinte. O estudo do Instituto de Medicina Tropical da USP, realizado com base nos dados do Ministério da Saúde, aponta que, em 2009 e 2010, foram notificados 105.054 casos no Brasil, dos quais 53.797 (51,2%) foram confirmados como sendo do novo subtipo de H1N1. Este total de casos confirmados, 98,2% ocorreu em 2009.         Pandemia de gripe suína permanece caracterizada por um número mais significativo de pacientes crianças, adolescentes e jovens adultos      Foto: ABR / BBC News Brasil Mas, como afirma um estudo liderado pelo médico Antonio Nassar Junior e publicado na Revista Brasileira de Terapia Intensiva em 2010, o número de casos foi provavelmente muito maior do que os dados oficiais. A pesquisa permitiu que, como foram testados apenas os pacientes em estado grave a partir de um dado momento, muitas pessoas com sintomas leves podem não ter sido diagnosticadas. O Ministério da Saúde já informou que o mesmo ocorre agora e estima que 86% dos casos de covid-19 deixam de ser utilizados, no Brasil e em outros países. O Paraná foi o Estado mais afetado no Brasil Foram registrados casos em todos os Estados do Distrito Federal, mas as regiões Sul e Sudeste concentram mais de 90% do total – na atual pandemia, o Sudeste concentra 57,9% dos casos confirmados no país e o Nordeste vem em segundo lugar, com 15,8% dos casos. Conforme regulamentado ou estudo liderado pelo secretário Wanderson de Oliveira, como maiores taxas de incidência na população “em cidades nas fronteiras com a Argentina, Uruguai e Paraguai e nos Estados do clima temperado, onde o inverno é mais intenso”. O Paraná foi o Estado brasileiro mais impactado pela pandemia de gripe suína, enquanto, desta vez, São Paulo tem o maior número de casos de covid-19 até agora. O primeiro caso foi identificado no Paraná em junho de 2009. No final do ano, concentra 58,6% de todas as infecções no Brasil – São Paulo foi o segundo estado em termos absolutos, com 15,1% do total de casos confirmados atualmente ano. O Paraná também foi o Estado que teve em 2009 a maior proporção de casos em relação à população, com 301,3 casos a cada 100 mil habitantes, mais a dez vezes a média nacional, 28 casos a cada 100 mil habitantes. De acordo com este critério, os outros Estados mais afetados pela gripe suína no Brasil foram Santa Catarina (36/100 mil habitantes), Rio Grande do Sul (27,4 / 100 mil habitantes), Rio de Janeiro (20,1 / 100 mil habitantes) e São Paulo (19,7 / 100 mil habitantes). Esse padrão mudou em 2010, quando ocorreu uma incidência maior de casos nos Estados mais ao norte do país. Gripe suína foi mais comum entre as pessoas mais jovens Diferentemente da queixa sazonal, que costuma acometer mais idosos, uma queixa de pandemia permanece caracterizada por um número mais significativo de pacientes crianças, adolescentes e jovens adultos. A idade média entre os casos confirmados no Brasil em 2009 foi de 24 anos, segundo a pesquisa do Instituto de Medicina Tropical da USP. Uma faixa etária de 0 a 29 anos respondeu por 62,5% dos casos em 2009, enquanto aqueles com mais de 60 anos representaram apenas 4,8%. Os idosos também tiveram ou o menor número de casos a cada 100 mil habitantes. Como maiores taxas foram registradas entre crianças com menos de 1 ano, crianças entre 1 e 4 anos e adultos entre 20 e 29 anos. Globalmente, estima-se que 80% das mortes relacionadas ao novo subtipo de H1N1 no mundo ocorrem em pessoas com menos de 65 anos de idade, de acordo com o CDC. Isso é bem diferente do que ocorre com epidemias de gripe sazonal, em que pessoas com 65 anos ou mais têm cerca de 70 a 90% das fatais. “A gente sempre cuida de idosos com queixa, e, de repente, aparece um novo vírus que causa doenças graves em pessoas que não são esperadas. Isso deu muita atenção”, afirma o infectologista Benedito da Fonseca, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP. Acredite-se que a menor prevalência de gripe entre os idosos tenha sofrido outras pandemias, diz a médica sanitarista Ana Freitas Ribeiro, do serviço de infectologia do Instituto Emílio Ribas. “Esse vírus provavelmente não atingiu os idosos porque eles adquiriram alguma imunidade durante crises da gripe asiática, em 1957, e da gripe de Hong Kong, em 1968. Seus corpos têm alguma lembrança de estar infectados por vírus”, diz Ribeiro. O número de grávidas internadas por causa da gripe suína também foi muito significativo no Brasil e não resta no mundo. “Muito difícil porque o sistema imunológico de gestor fica reduzido para o seu corpo não recusado, e a imunidade comprometida é um fator de risco para o H1N1, porque permite que o vírus se multiplique mais rapidamente”, diz Fonseca. Os cientistas também apontam para uma maior atenção à saúde das gestantes durante o período da gravidez, após contribuição para uma maior detecção de vírus entre elas. H1N1 era menos transmissível que novo coronavírus Assim como o novo coronavírus, o novo subtipo da era H1N1 transmitido por meio de correntes e espirais, sem contato direto com uma pessoa infectada ou ao entrar em contato com secreções respiratórias que carregam ou vírus. Mas aquele vírus era menos transmissível do que o enfrentado hoje. Um OMS indica que uma pessoa com H1N1 era capaz de infectar 1,2 a 1,6 pessoas. Um estudo divulgado pelo CDC aponta que esse índice é de 2,79 para o novo coronavírus. “Por ser altamente transmissível, estão sendo tomadas agora algumas medidas drásticas para impedir a infecção contra novo vírus da hepatite que nunca foi usado antes, como recomendar que pessoas fiquem em casa e coloque cidades ou em um país inteiro em quarentena. Isso não foi feito com o H1N1 “, afirma Fonseca.         Naquela pandemia, foi possível evitar a vacinação relativamente rápida      Foto: Reuters / BBC News Brasil Após ser infectado pelo H1N1, uma pessoa apresenta sintomas depois de três a sete dias – esse período pode chegar a 14 dias com Sars-Cov-2 -, e a maior parte dos casos não apresenta complicações e evolução para cura, assim como tem ocorrido agora. Assim como o novo coronavírus, doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, problemas respiratórios, cardíacos e neurológicos e obesidade, é um fator de risco que aumenta quando há chances de uma forma grave de queixa e morte por causa dela. A presença deste tipo de condição foi observada em 79% entre os casos hospitalizados no Brasil em 2009. Apesar de serem menos vulneráveis ​​a vírus, as pessoas com mais de 60 anos tiveram maior chance de ter quadro grave de gripe suína, por terem um sistema imunológico mais fraco. O mesmo ocorre com crianças com menos de 2 anos, que ainda não têm um sistema totalmente desenvolvido. No Brasil, entre 53.797 casos confirmados do novo H1N1 em 2009, houve 2.098 mortes, ou aponta para um índice de letalidade de 3,9%, de acordo com o estudo da USP. Mas esse índice foi superestimado, porque muitos casos deixam de ser contabilizados nas estatísticas. Um estudo realizado pela Universidade de Washington e publicado em 2013 indica que esse índice foi de 0,02%. Especialistas afirmam que o mesmo pode estar ocorrendo nesta pandemia, porque muitos países não têm testes permitidos para diagnosticar todos os casos e usar somente os mais graves. Diante de um número significativo de pacientes assintomáticos ou com sintomas leves de covid-19 que não estão sendo detectados por sistemas de índices, um índice de letalidade de novos coronavírus, 3,4% de acordo com o OMS, estão bem acima da realidade . Medicamento e vacina Um fator fundamental para o baixo índice de mortes em relação ao número de pessoas infectadas durante uma pandemia de H1N1 foi o fato de haver períodos de medicamentos antivirais capazes de combater esse vírus. Até o momento, não há uma droga que seja comprovadamente capaz de fazer o mesmo com pacientes infectados pelo novo coronavírus. Outro elemento que contribuiu para controlar a disseminação do novo subtipo de H1N1 foi o desenvolvimento de uma vacina ainda em 2009. Isso foi possível porque já havia uma vacina contra outros vírus influenza e uma questão de adaptar ou existir para criar uma versão capaz de conferir a imunidade contra aquela variedade do H1N1. No entanto, como aponta o CDC, esta vacina só se torna disponível a partir de novembro desse ano, quando o número de novos casos foi causado drasticamente em todo o mundo. A vacina teve um papel mais importante no controle da pandemia a partir de 2010, ou permitiu que o OMS declarasse seu fim em agosto desse ano. E também proteção da população em relação às novas versões desse subtipo do H1N1 desde então – uma vacina que está sendo oferecida no Brasil neste ano, por exemplo, confere imunidade contra ele. “Mesmo que a vacina não seja totalmente eficaz – ela é protegida em 70% das aplicações -, se você conseguir uma boa cobertura da população, especialmente em grupos de risco, poderá perder a chance de infectar pessoas”, afirma Fonseca. Uma pesquisa de uma vacina contra o Sars-Cov-2 vem avançando rapidamente, e há mais de 20 versões em desenvolvimento. Mas ainda é preciso garantir o funcionamento e segurança. Mesmo que algumas delas sejam eficazes, será preciso encontrar formas de produzir em massa. Com isso, como mais realistas apontam para uma vacina para o Sars-Cov-2, não está pronta para ser aplicada na população e menos até o próximo ano. Pandemia deixou lições A Fonseca diz que um dos maiores problemas de pandemia do H1N1 foi o aprendizado de como lidar com epidemias de queixas nos tempos atuais. O infectologista diz que isso pode conter a disseminação de outros vírus influenza que geraram epidemias localizadas na Ásia, mas não se espalharam pelo mundo. “O grande problema que aconteceu agora é que esse vírus é diferente e totalmente novo que ninguém sabe muito bem como conter nem conhecer todas as formas como ele pode ser transmitido”, afirma Fonseca. Por esse motivo, aprender com o que está ocorrendo agora será fundamental para lidar com as próximas pandemias que provavelmente ocorrerão. “Estamos cada vez mais sujeitos a isso porque estamos invadindo a natureza e entrando em contato com animais que hospedam vírus desconhecidos e como pessoas se deslocam mais pelo mundo e muito mais rápido”, afirma Fonseca. “Então, hoje, o perigo de pandemias é iminente.”         Mais sobre o coronavírus      Foto: BBC News Brasil         Bandeira      Foto: BBC News Brasil Veja também: Orientado para ficar em isolamento, Bolsonaro cumprimenta apoiantes no Planalto                                           BBC News Brasil – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da BBC News Brasil.                                                                                     
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