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Brasileiro Karim Ainouz ganha prêmio Um Certo Olhar, em Cannes

As atrizes brasileiras Julia Stockler (E) e Carol Duarte posam para fotos com o diretor Karim Ainouz em sessão de fotos do filme 'A Vida Invisível de Eurídice Gusmão', na 72ª edição do Festival de Cannes, 20 de maio de 2019
As atrizes brasileiras Julia Stockler (E) e Carol Duarte posam para fotos com o diretor Karim Ainouz em sessão de fotos do filme 'A Vida Invisível de Eurídice Gusmão', na 72ª edição do Festival de Cannes, 20 de maio de 2019

O diretor brasileiro Karim Ainouz ganhou, nesta sexta-feira (24), o prêmio Um Certo Olhar, o segundo mais importante do Festival de Cannes, com seu “melodrama tropical”, “A vida invisível de Eurídice Gusmão”.

O filme retrata o patriarcado no Brasil narrando, da adolescência à velhice, a vida de duas irmãs cariocas dos anos 1950, cujos sonhos são soterrados pelo peso de uma sociedade machista.

Ao receber o prêmio, Ainouz dedicou-o às suas protagonistas, Carol Duarte e Julia Stockler, bem como “a todas as mulheres do mundo”.

“Vivemos um momento de muita intolerância” no Brasil, denunciou o cineasta.

Em seu terceiro longa-metragem exibido em Cannes, Ainouz retoma a temática que mais o comove: as mulheres, uma forma de homenagear sua mãe, que o criou sozinha, e sua avó, que viveu até os 108 anos, a quem dedicou seu primeiro trabalho.

Baseado no romance homônimo de Martha Batalha, “A vida invisível de Eurídice Gusmão” acompanha Eurídice e Guida, almas gêmeas, mas que o destino separa e leva para caminhos muito diferentes.

– Voltando atrás –

Elas compartilham a frustração de não poderem se realizar e a enorme dor de viverem separadas no Rio.

Assim, Eurídice, cujo sonho é ser pianista, luta por anos para ser admitida no conservatório, embora seu pai e seu marido não consigam entender por que uma mulher não quer ficar em casa e cuidar da família. Guida é atingida muito jovem por uma tragédia e precisa formar uma família menos convencional.

“Minha mãe era solteira e quando pequeno não me dei conta de como foi duro para ela. Ao mesmo tempo, tinha a impressão de que as coisas tinham mudado nos últimos 30 anos para as mulheres, mas com o que está acontecendo politicamente no mundo e no Brasil, vejo que estamos andando para trás”, disse o cineasta à AFP na segunda-feira, após exibir seu filme na mostra Um Certo Olhar.

No Rio dos anos 1950 de Ainouz, uma mãe não pode sair do país com seu filho pequeno porque é necessária a autorização do pai. Uma jovem que ainda não quer ter filhos vive com medo de ser abandonada pelo marido. Outra mulher se cala quando o patriarca humilha sua filha.

O filme é uma “denúncia do patriarcado e do prejuízo que pode causar”, disse Ainouz. Mas também “quero evitar apresentar os personagens como vítimas e explorar suas possibilidades de resistência”, acrescentou.

– Novelas como inspiração –

“Isso é o mais importante do cinema hoje em dia: mostrar que é preciso resistir e dar esperanças”.

Potente em sentimentos, o filme reforça visualmente seu aspecto melodramático com grande densidade de cores e uma atuação com mais cara de teatro.

Sua inspiração: as novelas brasileiras dos anos 1970. “Tenho lembranças maravilhosas daquelas novelas, de seus atores, que vinham, em sua maioria, do teatro. Mas até agora sentia certo pudor para retomar seu estilo. É preciso ser muito cuidadoso para não fazer um filme sem graça”.

Ainouz afirma ter perdido o medo de deixar os sentimentos aflorarem. “As novelas têm força de chegar a um grande público, e não é por acaso que gostam tanto delas no Brasil”, resumiu

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