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segunda-feira, 17 de junho de 2019 1:5807
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‘Hamlet Candidato’ estreia nesta quinta no Sesc Copacabana

Com direção de Alexandre Mello e texto de Cecilia Ripoll

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Escrita por volta do ano 1600, “Hamlet”, de William Shakespeare, ecoa debates contemporâneos em “Hamlet Candidato”, peça idealizada e dirigida por Alexandre Mello, com texto inédito de Cecilia Ripoll. Em cena, questões sociopolíticas atuais emergem nos bastidores de uma montagem da tragédia shakespeariana. O espetáculo estreia em 9 de maio, no Teatro de Arena do Sesc Copacabana, e fica em cartaz até 2 de junho (de quinta a domingo, às 19h). No dia 20 de maio, será lançado o livro com o texto da peça, publicado pela Editora Cândido. Com direção de produção de Rogério Garcia, o espetáculo é uma realização da Usina D’Arte.

Trapaças em busca do poder, formações de redes de intrigas, desonestidades para obter informações sigilosas, acidentes misteriosos e armadilhas friamente calculadas estão em pauta em “Hamlet Candidato”. “O projeto surgiu de uma vontade de falar sobre ética a partir dos últimos eventos políticos que vivemos no país. Me lembrei de ‘Hamlet’ e pensei em abordar esse tema nos bastidores de uma encenação da própria obra de Shakespeare”, conta Alexandre Mello que, além de dirigir a montagem, integra o elenco de 14 atores.

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Indicada ao Prêmio Shell 2019 pelo texto de “Rose”, a autora Cecilia Ripoll foi convidada por Alexandre e Rogério para participar do projeto. “Escolhemos alguns pontos de contato entre a obra de Shakespeare e o que estamos vivendo hoje no país. Acho que a linha mestra em ‘Hamlet Candidato’ seriam as articulações escusas para chegar ao poder”, conta.

A peça inicia logo após a estreia de uma montagem de “Hamlet”. Nos bastidores, o diretor (papel de Alexandre) está insatisfeito com o resultado do espetáculo. Mas o que parece ser apenas um problema da encenação acaba se revelando uma intricada trama que – a partir da maneira escusa em que um dos atores ganhou o papel principal – reverbera muito as questões políticas e culturais dos dias de hoje. As revelações que se sucedem mostram que, embora tenha sido escrita há mais de 400 anos, “Hamlet” ainda é capaz de falar do homem contemporâneo. 

A cenografia de Julia Decache utiliza banners de diferentes produções teatrais, formando um grande tapete de patchwork – transmitindo a ideia de um grupo de teatro que resiste aos tempos difíceis e utiliza em cena o que tinha a mão como peças e móveis de outras montagens. A trilha sonora é assinada por Marcello H. “O elenco é muito musical. Eles fazem coros ao vivo dando um tom épico à cena”, explica o diretor.

Com mais de três décadas de carreira nas artes cênicas, Alexandre Mello fundou o Ateliê Alexandre Mello há quatro anos, em Laranjeiras. “Tinha o desejo de juntar as pessoas com que sempre quis trabalhar para criar parcerias que dialogassem com artes plásticas, cinema, filosofia”, diz. “Não somos um grupo, alguns artistas fazem parte de outras companhias, mas temos uma frequência das mesmas pessoas no ateliê.”

Durante a temporada de “Hamlet Candidato”, três projetos audiovisuais realizados no ano passado no Ateliê serão exibidos no Sesc Copacabana. Entre os dias 23 a 26 de maio, instalada na galeria do subsolo, a videoinstalação experimental “Medeia-Clark” mescla algumas experiências da artista plástica Lygia Clark com o mito da Medeia. O longa “Relato Breve” – feito a partir de um texto escrito por Alexandre e Zé Luiz Rinaldi, com a atriz Cris Amadeo no papel principal — será exibido em 21 de maio no Teatro de Arena. Já o média-metragem “Pierre Rivière” – baseado no livro “Eu, Pierre Rivière, que Degolei Minha Mãe, Minha Irmã e Meu Irmão”, organizado pelo filósofo francês Michel Foucault, sobre o jovem francês Pierre Rivière, que assinou a família em 1835 – será apresentado no foyer do Teatro de Arena, de 30 de maio a 2 de junho.

Sobre Alexandre Mello

Ator, diretor e professor de teatro há mais de 30 anos. Tem um olhar bastante específico sobre o trabalho do ator e desenvolve um conjunto de práticas e procedimentos para a criação de personagens e da cena. Dirigiu alguns sucessos como “Quebra Ossos”, “Um dia Qualquer”, de Julia Spadaccini, com quem tem uma parceria de longa data. Morou na Itália e na Dinamarca nos anos 1990, trabalhando como ator. Foi diretor artístico dos teatros Gonzaguinha e Ipanema nos projetos “Vem!” e “Vem. Ágora!”, além de curador do Festival Dois Pontos. Atualmente, Alexandre dá aulas na Escola Wolf Maya e em seu Ateliê, em Laranjeiras.

SERVIÇO – Espetáculo: “Hamlet Candidato”

Temporada: de 9 de maio a 2 de junho de 2019, de quinta a domingo, às 19h.

Local: Teatro de Arena –Sesc Copacabana. Informações: (21) 2547-0156.

Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana.

Ingressos: R$ 7,50 (associado do Sesc), R$ 15 (meia), R$ 30 (inteira).

Ingresso solidário – R$ 15 (meia) com a doação de 1 kg de alimento para o Projeto Mesa Brasil do Sesc RJ.

Bilheteria – Horário de funcionamento: De terça a sexta, das 9h às 20h.

Sábados, domingos e feriados, das 12h às 20h.

Capacidade: 260 lugares. Classificação: 16 anos. Duração: 90 minutos.

Lançamento do livro “Hamlet Candidato”: 18 de maio.

Entrada franca. Horário a confirmar.

Exibição do filme “Relato Breve”: 21 de maio.

Entrada franca, às 19h.

Instalação performativa “Medeia Clark”: de 23 a 26 de maio.

Entrada franca, a partir das 17h.

Exibição do tríptico “Pierre Riviére”: de 30 de maio a 2 de junho.

Entrada franca, a partir das 17h

SOBRE Ateliê Alexandre Mello

O Ateliê Alexandre Mello trabalha na criação e formação do artista da cena contemporânea. O procedimento de criação do Ateliê alia provocações filosóficas, práticas corporais de movimento e da dança, inspiração nas artes plásticas e na dramaturgia contemporânea.

Entre as produções do Ateliê destacam-se “Quatro janelas para o paraíso”, com textos curtos de T. Williams, e “Os Figurantes”, de José Sanchis Sinisterra. A pesquisa com imagem desencadeou uma produção do longa-metragem “Relato Breve”, do média-metragem “Pierre Rivière” e da instalação de vídeos “Medeia Clark”.

Sobre Cecilia Ripoll

Diretora, dramaturga e atriz, formada em Artes Cênicas pela UNIRIO. Indicada ao Prêmio Shell 2018 como autora por “Rose”, dramaturgia dirigida por Vinicius Arneiro e publicada pela Editora Cobogó. Selecionada para o projeto de intercâmbio BETSUD (Panorama Sur), participará de residência artística na Itália (Festival Castrovillare). Uma das fundadoras do Grupo Gestopatas, assina direção e dramaturgia de seus trabalhos mais recentes: “Paco e o tempo” (2016/2017) e “Paredolia” (2017).

FICHA TÉCNICA

Texto: Cecilia Ripoll

Direção: Alexandre Mello

Direção de produção: Rogério Garcia

Diretora assistente: Isabella Lomez

Assistente de direção:  Lucas Sereda

Produção Executiva: Gabriel Garcia

Cenografia: Julia Deccache

Iluminação: Renato Machado

Trilha sonora: Marcello H

Programação visual: Raquel Alvarenga

Figurinos: Ticiana Passos

Assessoria de imprensa: Paula Catunda e Catharina Rocha

Visagísmo: Diego Nardes

Costureira de cenário: Nice Tramontin

Elenco:

Alexandre Mello, Debora Salem, Edson Zille, Elaine Cury, Merilyn Bernstorff, Thaissa Szapiro, Natalie Smith, Yuri Farage, Rodrigo Ferraro, Pedro Cesar Lima, Renan Rosselini, Osvaldo Novais, João Faria e Suellen Elleres

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