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segunda-feira, 17 de junho de 2019 1:4951
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“Com amor, Vinicius” terá apresentação única no Imperator

Musical mostra o lado mais humanista do poeta Vinicius de Moraes ao resgatar parte de seu legado artístico e emular o formato de longevo show. Apresentação única no dia 14 de Março no teatro do Imperator – Centro Cultural João Nogueira.

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A partir dos anos 70, quando os shows de música migraram em definitivo das boates para os teatros, Vinicius de Moraes adota um formato de apresentação que seria sua marca até morrer, em 1980.

O grande poeta e compositor subia o palco tendo a companhia de um exímio violonista e de uma cantora de timbre marcante. Enquanto o violão foi dedilhado por Dori Caymmi, num primeiro momento, e por Toquinho (um dos seus parceiros musicais mais freqüentes), a cantoria ficava a cargo de nomes expressivos como Maria Bethânia, Maria Creusa, Clara Nunes, Marília Medalha, Joyce, Miúcha e até mesmo o Quarteto em Cy. Muitos desses encontros originaram LPs (o com Clara Nunes rendeu o histórico “O poeta, a moça e o violão”). Pois esse conceito de show é o ponto de partida de “Com amor, Vinicius — Ou como sobreviver nesta selva oscura e desvairada”, novo musical de Hugo Sukman e Marcos França, que fecha a trilogia composta por “Deixa a dor por minha conta”, sobre Sidney Miller, e “Nara – A menina disse coisas”, sobre Nara Leão.

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No novo musical, Vinicius é vivido pelo próprio Marcos França, que divide a cena com a cantora Luiza Borges e com o violonista André Siqueira, também diretor musical da montagem. O espetáculo tem direção de Ana Paula Abreu e cumpre uma apresentação única no teatro do Imperator – Centro Cultural João Nogueira.

Esse formato de apresentação não era algo engessado. Tinha um quê de informalidade. Vinicius cantava, dizia poemas e tinha com o público uma conversa franca sobre temas que julgava pertinentes. E esse clima é justamente levado à cena pelos autores e pela direção. O roteiro traz canções emblemáticas do poeta com seus muitos parceiros  — Pixinguinha, Tom Jobim, Carlos Lyra, Baden Powell, Edu Lobo, Chico Buarque e o já citado Toquinho — misturadas a textos (poemas e trechos de cartas) e a algumas de suas falas, reproduzidas de entrevistas dadas por ele. Estão lá, por exemplo, “Janelas abertas” (com Jobim), “Gente humilde” (com Chico Buarque sobre melodia de Garoto), “Maria Moita” e “Sabe você” (ambas com Lyra), “Mais um adeus” (com Toquinho) e “Berimbau” (com Baden), entremeadas a poemas como “Pátria minha”, “Poema de Natal”, “Operário em construção” e com “A carta que não foi mandada”, entre outros.

O musical não se atém somente a emular um formato de show. Até porque a apresentação teve, como já dito, diferentes formações e temporadas. Também não se propõe a ser didático/biográfico, seguindo a linha comum a muitos musicais de ir do início ao fim da vida artística de um personagem. O que o público irá conhecer são algumas das facetas que compuseram a persona de Vinicius de Moraes. Trata-se de um Vinicius terno (o poeta não era dado a rompantes e ataques, ao contrário de muitas celebridades de hoje), mas um Vinicius em total sintonia com questões sociais da vida, mais ligadas ao que conhecemos como direitos humanos, e também preocupado com o fim das liberdades, fossem elas a de expressão, artística, e mesmo a de ir e vir.

Para fazer desse retrato o mais fiel possível ao personagem, a dramaturgia tem como pilares três épocas diferentes. A montagem começa em 1969, com um esbaforido poeta chegando atrasado a um show devido aos protestos populares que ocorriam na cidade. Volta-se ao ano de 1964, quando o golpe militar instala-se derrubando assim o sistema democrático de governo, avançando em seguida até a década de 70, onde a narrativa estabelece-se.

E quem é esse Vinicius afinal? Um cara que não fugia de questões importantes da vida (da sua própria e da dos cidadãos). Um Vinicius que sabia que a liberdade era peça-chave para uma sociedade mais igualitária. Um Vinicius que tinha na figura da mulher amada um objeto de total veneração (ele chegou a se casar nove vezes) e que, justamente por isso, foi vanguardista ao exigir respeito a elas (e às suas causas). E que ninguém pense que era ele um machista, como muitos homens de sua geração. Há na peça o trecho de uma entrevista em que o poeta defende o amor em sua liberdade, citando inclusive o amor entre pessoas do mesmo sexo.

Vinicius não era de meias palavras. Há o Vinicius que é cassado do Itamaraty  em razão do Ato Institucional nº 5 (AI-5). Apesar de avesso às formalidades daquele órgão (que o obrigava a se apresentar de terno e gravata) há, por outro lado, o reconhecimento de que o Itamaraty foi de extrema importância para moldar sua visão humanista. Foi como diplomata que ele viajou pelo país e conheceu, assim, suas desigualdades sociais. “Eu era um homem de direita tornei-me um homem de esquerda”, reconhece ele numa de suas falas. Nesses tempos em que muito se reivindica um “lugar de fala (ou da fala)”, o público poderá (re)conhecer um homem que, em nome do seu amor à vida e à liberdade, falou por todos nós, independentemente de etnia, credo e demais preferências. Com amor, sempre.

Ficha técnica:

Com amor, Vinicius

Com: Marcos França (Vinicius de Moraes), Luiza Borges (cantora),  André Siqueira (violão) e Matias Zibecchi (bateria e percussão)

Roteiro e idealização: Hugo Sukman e Marcos França

Direção: Ana Paula Abreu

Direção musical: André Siqueira

Iluminação: Luiz Paulo Nenem

Cenografia: Pati Faedo

Figurinos: Marcela Poloni e Rafaela Rocha

Desenho de som: Branco Ferreira

Programação visual: Thiago Ristow

Fotos: Rafael Blasi

Assessoria de imprensa: Christovam de Chevalier

Operador de luz: Mário Júnior

Gestão de leis de incentivo: Natalia Simonete

Produção Executiva: Rayes Produções Artísticas

Direção de produção: Ana Paula Abreu e Renata Blasi

Produção: Diálogo da Arte Produções Culturais

Realização: Informal Produções Artísticas e Diálogo da Arte Produções  Culturais

Serviço:

Evento: COM AMOR, VINÍCIUS

Data: 14 de março

Horário: Quinta-feira, às 19h

Local do Evento: Imperator – Centro Cultural João Nogueira (Teatro)

Endereço: Rua Dias da Cruz, 170 – Méier/RJ

Valor do Ingresso: Plateia inferior e balcão: R$ 40 (inteira) / R$ 20 (meia)

Local de venda: Bilheteria do Centro Cultural, Terça e Quarta: 13h às 20h30; Quinta a sábado: 13h às 21h30; Domingo: 13h às 19h30. Ou através do site ingressorapido.com.br

Classificação: Livre

Duração: 70 minutos

Informações: (21) 2597-3897 (das 9h às 12h/13h às 18h). Exceto Feriados.

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