Foto: Reprodução
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A Secretaria de Cultura do estado do Rio de Janeiro ordenou que a exposição “Literatura Exposta” fosse encerrada neste domingo (13), um dia antes do previsto. Uma performance do coletivo de artistas És Uma Maluca, com nudez feminina e referências à tortura durante a ditadura militar no Brasil, encerraria a mostra.


A mostra estava em cartaz na Casa França-Brasil, que pertence à Secretaria de Estado da Cultura do RJ, desde 4 de dezembro.

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O curador Álvaro Figueiredo publicou no Facebook: “Informamos que amanhã, domingo, dia 13 do corrente mês, a Casa França-Brasil estará fechada para o público, por ordem do Excelentíssimo Senhor Governador Wilson Witzel, considerando que a programação para o dia referido, conforme informada a direção do equipamento público, não encontra-se presente no contrato previamente assinado”.


Para Figueiredo, o ocorrido foi um ato de censura do governo. “Fecharam nossa exposição um dia antes da data oficial como forma de impedir que as performances […] acontecessem”, escreveu em sua página na rede social.


Em nota à imprensa, o secretário de Cultura e Economia Criativa, Ruan Lira, afirmou que o cancelamento aconteceu porque a programação de domingo não faria parte do contrato firmado.


“A decisão foi tomada devido ao descumprimento do contrato assinado entre as partes em 3 de julho de 2018 e que prevê o cancelamento unilateral em caso de descumprimento das obrigações estabelecidas. O referido contrato não inclui em seu objeto a programação informada para o último dia do evento. Também exige que as atividades sejam autorizadas pelo Iphan, com pedido feito com 45 dias de antecedência, o que não ocorreu -impedindo, portanto, a realização do programa agendado para este domingo”, diz a nota.


Segundo a assessoria de imprensa do órgão, a performance jamais foi mencionada em contrato ou em qualquer pedido, e “o que vai ocorrer dentro de um equipamento público, tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), precisa estar documentado”.
Na sexta-feira (11), o secretário de Cultura teve acesso à informação de que uma performance com nudez seria exibida na exposição no domingo, ainda de acordo com a assessoria de imprensa.


“Isso teria que passar por uma classificação etária, que o governo tem que respeitar quando se trata de nudez.”


“Jamais seria censurado, seria corretamente apresentado ao público”, diz a assessoria. “Como só chegou para ele [Ruan Lira] na sexta, não haveria tempo hábil até domingo para passar pelos órgãos competentes. Teve que ser cancelado.”


​”Literatura Exposta” já havia sofrido intervenção antes mesmo de ser aberta. A obra “A Voz do Ralo É a Voz de Deus”, também do coletivo És Uma Maluca, foi vetada pelo diretor da Casa França-Brasil, Jesus Chediak.


Na proposta original do grupo, fundado em 2014 na zona norte do Rio, milhares de baratas de plástico se espalham por cima e ao redor de um bueiro instalado sobre azulejos, no piso da instituição. Do mesmo buraco também sairia a voz do agora presidente Jair Bolsonaro (PSL).
Chediak proibiu o uso dos discursos. Uma receita de bolo entrou em seu lugar.


A proposta da exposição era apresentar criações baseadas em textos de escritores considerados periféricos.


Um conto do escritor Rodrigo Santos foi a inspiração para “A Voz do Ralo É a Voz de Deus”. O texto fala sobre uma mulher torturada durante a ditadura militar. Nas sessões de tortura, baratas eram introduzidas em sua vagina.


O coletivo publicou nota nas redes sociais, afirmando que sua manifestação foi censurada. Os artistas prometem realizar a performance nesta segunda (14), às 18h, em frente à Casa França-Brasil.

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