Os sobreviventes da festa da virada na praia de Copacabana, na zona sul do Rio, atestam: só vão embora quando a cerveja acabar. São mais de dez horas nas areias do maior Réveillon do país, e eles não têm hora para voltar para casa.


Mesmo com a grande quantidade de lixo espalhada pela praia ainda por volta das 9h30 do primeiro dia do ano, eles aproveitam o sol escaldante enquanto os termômetros marcam 30ºC. São turistas e também moradores de regiões distantes da zona rica da capital.

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“Meu objetivo foi alcançado, ver o nascer do Sol”, diz a auxiliar de escritório Luiza Fortuna, 28, com um sorriso de orelha a orelha enquanto deixa a praia, carregando seu cooler azul e desviando das garrafas de plástico no chão. Ela mora na zona norte carioca e vai embora de metrô, já que os cartões especiais de Ano Novo para entrar e sair da região já não são mais obrigatórios. 


Rejane Costa, 29, técnica de enfermagem de Duque de Caxias (região metropolitana do Rio), conta que é o quarto ano seguido que passa a virada em Copacabana. Os dois engradados de cerveja que cada um do grupo de oito pessoas levou ainda não acabaram, então eles ainda aproveitam a praia ao som do funk na caixinha de som. 


O trio de mineiros Guilherme Ribeiro, 23, Lucas Ribeiro e Jenifer Alves, 24, usam a sombra de uma árvore na orla para se trocar enquanto esperam o horário do ônibus para voltar a Belo Horizonte. Decidiram fazer a viagem de última hora e, para se banhar nos últimos dois dias, usaram as duchas da areia e o próprio mar.


“Valeu muito a pena, mesmo sem dormir. Senão era ficar em casa em BH”, diz Jenifer já de óculos escuros, passando um produto para deixar os cabelos limpos num banco da orla. 


A gari Mônica Siqueira, 34, esfrega a testa com o antebraço enquanto varre as ruas próximas à praia que recebeu 2,5 milhões de pessoas entre esta segunda (31) e terça (1º). “Tá brabo”, desabafa ao varrer as calçadas à espera do caminhão que vem recolher a sujeira.


O camelô Jorge Félix Filho, 37, já tem os olhos quase fechados aguardando os visitantes. “É 15 reais a cadeira”, ainda responde a uma cliente com o mesmo entusiasmo da primeira noite, mesmo há dois dias sem dormir segundo ele.


Moradores da Baixada Fluminense, Thaís Bartals, 22, e o grupo de amigos usaram a antiga tática da “cabaninha” para colocar o biquíni de manhã. Eles aproveitam a estrutura de uma quadra de vôlei de praia para continuar as doze horas de festa. “Vamos ficar até cansar”, diz.

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