“Waltinho e eu não seremos proprietários de coisa alguma. Não temos vocação para Abramovich”, escreveu o cineasta João Moreira Salles em carta publicada na coluna do Juca Kfouri de quinta (13), na Folha de S. Paulo, sobre os rumores de que ele e o irmão, Walter, poderiam comprar o Botafogo, assim como o bilionário russo citado fez com o Chelsea, da Inglaterra.

Donos de uma fortuna estimada em R$ 77 bilhões, os irmãos Moreira Salles são torcedores apaixonados pelo time alvinegro e juntos estudam uma maneira de revolucionar a gestão do clube, que tem dívida de R$ 700 milhões, a maior entre os times do país.

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A dupla irá solicitar à consultoria Ernst & Young, com a anuência da diretoria do Botafogo, um estudo que deve mostrar os caminhos a serem tomados para reestruturar a gestão da agremiação, que pode se tornar um clube empresa ou “uma fundação sem fins lucrativos, quem sabe amparada por um fundo patrimonial”, segundo o próprio João escreveu ao colunista.

Um dos objetivos do estudo, que deve ser finalizado até março do próximo ano, é mostrar se a gestão do futebol botafoguense pode se tornar totalmente profissional, independente do clube social. Se isso for possível, a expectativa é que a captação de investidores fique mais fácil.

Em nota, os irmãos reforçaram que a contratação da consultoria não significa que eles assumirão cargos no Botafogo ou que participarão, mesmo que de forma indireta, da gestão do clube.

A assessoria de imprensa dos irmãos Moreira Salles afirmou que eles não iriam falar pessoalmente sobre o assunto.

Não é a primeira vez que os dois tentam ajudar o time do coração. No final de 2017, financiaram a compra de um Centro de Treinamento, na zona oeste do Rio de Janeiro. Os R$ 25 milhões investidos pela família serão pagos pelo Botafogo em 30 anos, em 360 parcelas, corrigidas pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor). A conclusão das obras está prevista para 2019.

Para ajudar na amortização do empréstimo contraído, 20% dos valores das vendas de jogadores da base irá para os irmãos Moreira Salles.

“O Botafogo abriu as portas, enxerga com bons olhos a aproximação com os Irmãos Moreira Salles e aguarda o direcionamento do estudo técnico que será realizado”, disse o clube à reportagem.

No passado, dirigentes botafoguenses tentaram sem sucesso se aproximar do empresário Eike Batista, que já foi considerado um dos homens mais ricos do mundo e atualmente se encontra em prisão domiciliar por envolvimento em escândalos de corrupção.

Famosa sobretudo nos setores cultural e financeiro, a família Moreira Salles tem a origem de sua fortuna datada de 1924, quando o avô dos herdeiros, também chamado João, fundou em Poços de Caldas (MG) a Casa Bancária Moreira Salles. Nove anos depois, seu filho Walter tornou-se sócio do negócio que, em 1975, seria rebatizado de Unibanco.

Walther pai também foi embaixador, ministro da Fazenda e diplomata dos governos Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros. Criou, em 1990, o Instituto Moreira Salles, um dos principais fomentadores de cultura no país atualmente.

O patriarca morreu em 2001 e hoje o patrimônio da família, calculado em cerca de R$ 77 bilhões, é administrado pelos os irmãos Walter, João, Pedro e Fernando, que concretizaram a fusão do Unibanco com o banco Itaú, em 2008.

Os quatro herdeiros se dividem e transitam em diferentes ramos de atuação.

João, 52, e Walter, 62, ao contrário dos irmãos, não são tão ligados à parte empresarial.

Walter é diretor e produtor de cinema. Suas principais obras são “Central do Brasil” (1998), que recebeu duas indicações ao Oscar e ganhou um Globo de Ouro, e “Diários de Motocicleta” (2004).

João é produtor, editor e roteirista de cinema, talvez seja o mais ligado ao futebol dos quatro. Em 1998, fez em parceria com Arthur Fontes e o canal GNT a série de três documentários “O Futebol”.

Rara de ser encontrada, a obra é aclamada pela crítica cinematográfica esportiva.

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