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Após destruição, tensão ameniza em novo protesto dos ‘coletes amarelos’

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A quarta jornada de protestos dos “coletes amarelos”, por toda a França, neste sábado (8), começou em clima muito mais tranquilo do que a de uma semana atrás, que deixou um grande rastro de destruição (sobretudo em Paris) e mais de 260 feridos.


No começo da tarde (meio da manhã no Brasil), havia 31 mil manifestantes espalhados pelo país, segundo o Ministério do Interior, um pouco menos do que os 36 mil registrados no mesmo horário do dia 1º.

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A mobilização começou em contestação ao reajuste de uma taxa sobre os combustíveis, já anulado, mas se estendeu rapidamente para outras pautas, que giram em torno da recuperação do poder aquisitivo da classe média.


Na avenida Champs Elysées e em seus arredores, na capital, a batalha campal vista nos sábados anteriores –com bombas de gás lacrimogêneo e jatos d’água pelo lado policial, e atos de vandalismo diversos na trincheira dos “coletes amarelos”– não se repetiu na mesma escala.


Houve enfrentamentos pontuais, mas a situação não fugiu do controle.
O perímetro, um dos mais procurados por turistas em Paris, estava sitiado pela polícia. O comércio não abriu as portas (e protegeu suas vitrines com tapumes), tampouco o fizeram monumentos e museus das redondezas, como o Louvre, o Orsay e o Grand Palais.


Alguns grupos de “coletes amarelos”, percebendo o cerco, dirigiram-se a bulevares ao norte dessa região, nos 8º e 9º distritos, onde carros foram queimados e houve confrontos com policiais.


O governo mobilizou 89 mil agentes para o dispositivo de segurança em escala nacional, 8.000 deles só na capital. A abordagem deles mudou em relação aos primeiros atos. O “laisser-faire” dos fins de semana anteriores deu lugar a intervenções rápidas e direcionadas para reprimir indivíduos e aglomerações considerados radicais.


O corpo a corpo se traduziu em um aumento do número de detenções (598 apenas em Paris, até as 14h, contra 412 no total há uma semana) e de prisões (475, também até as 14h).


O fortíssimo esquema de segurança arquitetado na capital a transformou numa cidade quase deserta. Além de museus e comércio, quase 40 estações de metrô foram fechadas, e 50 linhas de ônibus tiveram seu trajeto reduzido, alterado ou sua operação completamente suspensa.


No bairro de Saint-Germain-des-Prés, em que lojas e cafés vivem apinhados de turistas, a reportagem encontrou bulevares vazios e brasileiros sem saber muito para onde ir.


“Viemos de Londres para o aniversário de um amigo, mas o restaurante em que aconteceria a comemoração cancelou nossa reserva, porque não vai abrir hoje”, disse o motoboy Julles Oliveira, 33, que visita a cidade pela primeira vez. “Também perdemos nosso ingresso para a Torre Eiffel, que está fechada.”


Não muito longe dali, os barcos que oferecem cruzeiros pelo rio Sena, outro programa popular entre os visitantes, navegavam muito abaixo de sua lotação.


Na outra margem do rio, grupos de três, quatro, às vezes cinco “coletes amarelos” tentavam se aproximar a pé da extremidade inferior da Champs Elysées, mas davam de cara com barras de contenção metálicas e acessos atravessados por viaturas policiais.


“Estou aqui pela terceira vez”, afirmou a executiva Natalie, que não quis dar o sobrenome e chama o presidente Emmanuel Macron de déspota.


“Queremos um referendo popular [sobre a transição energética do país, que a taxa contestada deveria financiar] e assembleias cidadãs regionais para discutir projetos de lei importantes.”

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