Cartazes da nova campanha da Prefeitura de São Paulo contra o mosquito Aedes aegypti. (Foto: Robson Ventura /Folhapress)
Cartazes da nova campanha da Prefeitura de São Paulo contra o mosquito Aedes aegypti. (Foto: Robson Ventura /Folhapress)

A campanha publicitária institucional de combate ao mosquito transmissor da dengue, zika, chikungunya e febre amarela, recém-lançada pela Prefeitura de São Paulo, foi parar nas redes sociais. O slogan “Aedes aegypti. Juntos, a gente te pega” provocou dúvida. Afinal, quem pega quem?


“Não está claro quem está junto, o que provoca uma leitura enviesada, principalmente quando se trata de uma ação do poder público, e a tendência é sempre de provocar críticas ou dúvidas por parte das pessoas”, diz Kleber Carrilho, professor de redação publicitária do curso de Publicidade e Propaganda da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo).

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Opinião compartilhada por Marcelo Pontes, professor de Comunicação e Marketing da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing). “Juntos, quem? A gente te pega ou a gente pega dengue? O jogo de palavras provoca o duplo sentido, o que não é aconselhável em uma campanha institucional”, afirma. O profissional também critica a colocação do nome científico do mosquito. “O mais importante é ser direto.”


Para os professores de Língua Portuguesa Patrícia Sosa e Ítalo Curcio, respectivamente, da Umesp, e da Universidade Presbiteriana Mackenzie, no lugar do ponto final do Aedes aegypti, o correto, gramaticalmente, seria o dois pontos.


Patricia acrescenta que, estruturalmente, a frase não está errada. O problema ficou mesmo no entendimento dúbio. “As pessoas não se percebem no processo e questionam onde estão”, afirma a professora.
A população também não perdoou. “O tiro saiu pela culatra”, diz a vendedora Tainá Campos, de 20 anos. “A prefeitura vai pegar o mosquito ou a gente?”, questiona.


A assistente de faturamento Viviane de Oliveira, 35 anos, também considera a mensagem ambígua.


A Prefeitura, da gestão Bruno Covas (PSDB), informou, em nota, que a campanha foi produzida pela Lua Propaganda. “Trata-se de tema da maior relevância e seriedade para a cidade”, destacou, apontando que “em face à interpretação errônea que a peça está gerando em algumas pessoas, a campanha já sofreu alterações, sem qualquer custo”.