Foto: Sophie Robichon | Divulgação
Foto: Sophie Robichon | Divulgação

Se a quantidade de museus e monumentos parisienses fechados no próximo sábado (8) e o efetivo policial mobilizado em toda a França nessa data forem termômetros razoáveis do que esperar da quarta jornada de protestos dos “coletes amarelos”, fica evidente que se acumulam sinais de apreensão.

Nesta quinta (6), a empresa que administra a Torre Eiffel anunciou que ela ficará fechada ao público no dia da manifestação. O Museu do Louvre, outro ímã de turistas, tampouco acolherá visitantes.

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A lista de instituições culturais que não abrirão suas portas inclui outros endereços muito procurados, como o museu d’Orsay (que abriga atualmente uma mostra popular de Picasso), o Grand Palais (com exposições igualmente populares de Miró e em torno da música de Michael Jackson), as duas sedes da Ópera de Paris e as Catacumbas da capital francesa, outro programa adorado por locais e estrangeiros.

O Arco do Triunfo, cuja área expositiva interna foi invadida, vandalizada e saqueada no ato do último sábado (1º), segue fechado por tempo indeterminado.

Nesta quinta-feira (6), jovens estudantes bloquearam o acesso a mais de 200 escolas de ensino médio por todo o país e houve confrontos entre manifestantes e a polícia. Cerca de 700 alunos foram detidos, segundo a imprensa francesa.

O primeiro-ministro Edouard Philippe anunciou na noite desta quinta, na bancada do equivalente francês do Jornal Nacional, que 89 mil agentes de segurança estão convocados para atuar em todo o país, 8.000 deles em Paris (ou seja, quase o dobro do contingente que foi às ruas da capital no dia 1º).

Além disso, 12 blindados serão usados, um expediente a que raríssimas vezes se recorre na França.

Mais cedo nesta semana, o ministro do Interior, Christophe Castaner, havia dito que o plano de ação das forças policiais seria revisto. No último sábado, elas monitoraram grupos de manifestantes a distância, em vários momentos recorrendo a bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para conter movimentações entendidas como violentas.

A ideia agora é aumentar a mobilidade dos batalhões e ir para o corpo a corpo, o que aumenta o risco de ferimentos dos dois lados.

“Acredito no bom senso dos franceses que viram o gesto de apaziguamento feito pelo governo”, afirmou na televisão Philippe, referindo-se à suspensão -inicialmente por seis meses, e mais tarde estendida até o fim de 2019– do reajuste de uma taxa sobre combustíveis que foi o estopim dos protestos. “Agora, é preciso sentar à mesa [de negociações].”

Durante a entrevista, ele apresentou uma terceira versão do recuo governamental, dizendo que o tributo, concebido para financiar a transição energética do país para fontes limpas, estava anulado.

Além de museus, estabelecimentos comerciais foram instados a baixar as portas no próximo sábado, sobretudo os situados no chique 16º distrito da capital (em torno do Arco do Triunfo), onde vândalos destruíram agências bancárias, quebraram vitrines de cafés e lojas e atearam fogo a carros na terceira jornada de manifestações.

A Prefeitura de Paris e a polícia local pediram também a empreiteiras que retirassem de canteiros de obras ferramentas e materiais que pudessem ser pilhados e posteriormente utilizados para alvejar o patrimônio público e propriedades particulares.

Também para evitar mais confusão, vários jogos do Campeonato Francês programados para o sábado foram adiados.

Já as marchas pelo clima convocadas em 120 cidades francesas para o dia 8 (coincidindo com a realização, na Polônia, da conferência das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas) estão mantidas, mas ao menos o ato parisiense teve seu percurso revisto, a fim de afastá-lo do perímetro em que devem circular os “coletes amarelos”.