Literatura Exposta
Foto: Divulgação

Desde o início desta semana, milhares de baratas de plástico se espalham por cima e ao redor de um bueiro instalado sobre azulejos no piso da Casa França-Brasil, no Rio. Do mesmo buraco também sairia a voz do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL).

Essa seria a exata descrição de “A Voz do Ralo É a Voz de Deus”, que integra a exposição “Literatura Exposta”. Só que o diretor da Casa França-Brasil, Jesus Chediak, não gostou da provocação proposta pelo És Uma Maluca. Autor da obra, o coletivo de artistas foi fundado em 2014 na zona norte do Rio. A obra acabou modificada antes de a mostra abrir.

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Chediak diz que vetou apenas o uso de discursos de Bolsonaro -as baratas e o bueiro continuam presentes, portanto. Ele diz que considerou “de péssimo gosto” a abordagem.
“Não posso acolher, aqui, em uma instituição pública, essa forma de depreciar um Presidente da República”, disse. Segundo ele, o projeto de curadoria não havia especificado que a obra faria essa menção a Bolsonaro. Foi o que Chediak explicou aos artistas e ao curador Álvaro Figueiredo quando os informou sobre o veto.

Segundo o diretor, a obra foi modificada com o consenso dos artistas e de Figueiredo. Os integrantes do És Uma Maluca não foram localizados pela reportagem. Chediak informou que eles decidiram não dar declarações à imprensa.

A exposição “Literatura Exposta” propõe apresentar criações inspiradas em textos de escritores considerados periféricos. “A Voz do Ralo É a Voz de Deus” tem como origem um conto do escritor Rodrigo Santos sobre uma mulher que é torturada durante o período da ditadura militar. Na sessão de tortura, baratas são introduzidas em sua vagina.