Foto: Kremlin
Foto: Kremlin

O presidente russo, Vladimir Putin, e o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, chamaram atenção ao trocarem um efusivo cumprimento nesta sexta-feira (30).

Os dois líderes fizeram um um “high five”, batendo as mãos, seguido de um aperto de mãos e um sorriso, quando se encontraram na plenária do G20 em Buenos Aires.

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A presença do príncipe (conhecido pela sigla MBS) tem sido um dos pontos delicados do encontro, já que o herdeiro do trono saudita está envolto em polêmicas.

Ele é o principal suspeito de ser o mandante do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, que foi morto no consulado saudita em Istambul.

O repórter colaborava com o jornal americano The Washington Post e era um conhecido crítico do príncipe. Por causa da desavença, Khashoggi deixou a Arábia Saudita e se mudou para os EUA, mas em outubro decidiu ir até o consulado na Turquia para obter documentos para se casar.

Ele entrou no prédio no dia 2 e nunca mais foi visto. O governo saudita inicialmente negou saber sobre o paradeiro do jornalista, mas uma após pressão internacional, incluindo de aliados, reconheceu que ele tinha sido morto em suas dependências.

Até o momento, porém, Riad segue afirmando que a culpa foi de uma equipe de agente clandestinos e que o príncipe não tem ligação com o caso.

MBS é ainda o idealizador da ação militar saudita na guerra do vizinho Iêmen, acusado de apoiar um série de violações dos direitos humanos que acontecem no conflito.

Até mesmo os EUA, aliados histórico de Riad, criticaram a Arábia Saudita pela situação –embora o presidente Donald Trump mantenha seu apoio.

Criticando a falta de informações sobre o caso Khashoggi, o Senado americano aprovou na quarta (28) uma uma medida que pode suspender o apoio aos sauditas no Iêmen.

Por isso, desde que chegou a Argentina, MBS tem se mantido isolado na embaixada de seu país.”Foi no próprio local que ele realizou, por enquanto, sua única reunião bilateral, com a Índia.

A questão virou um dos principais temas do encontro e na quinta-feira (29), o presidente argentino, Mauricio Macri, disse que o assunto deveria ser debatido.

Já o francês Emmanuel Macron afirmou nesta sexta ao próprio príncipe que estava preocupado. Enquanto o saudita lhe respondia sorrindo, o mandatário francês se manteve quieto e sério todo o tempo.

Dias antes do início do G20, a entidade de direitos humanos Human Rights Watch pediu à Justiça argentina que o príncipe fosse detido e interrogado devido aos dois casos.

A Justiça acolheu a causa e o juiz Ariel Lijo ordenou o início da investigação, mas é pouco provável que uma decisão seja tomada antes do saudita deixar o país.