‘Contos Partidos de Amor’ no CCBB-Rio
‘Contos Partidos de Amor’ no CCBB-Rio

Inspirado na obra do escritor Machado de Assis (1839-1908), “Contos Partidos de Amor”, musical infantojuvenil idealizado pela diretora Duda Maia, aborda de forma bem-humorada e poética sentimentos presentes na vida tanto de crianças quanto de adultos: o amor e o ciúme. O espetáculo dá continuidade à trilogia “Três Histórias de Amor para Crianças” iniciada com a premiada montagem de “A Gaiola” (2006), adaptação do livro homônimo de Adriana Falcão.

Depois de estrear em março no CCBB Rio de Janeiro, “Contos Partidos de Amor” seguiu em turnê pelas unidades do CCBB de São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. A peça está em cartaz no CCBB Rio até 16 de dezembro. As sessões são sábados, às 16h e 19h; e domingos, às 16h. O espetáculo foi premiado nas categorias Melhor Direção e Melhor Figurino no 12º Prêmio Zilka Sallaberry de Teatro Infantil – 2017/2018.

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A ideia de montar um espetáculo infantojuvenil baseado na obra machadiana surgiu quando “A Gaiola” estava em cartaz. “Queria continuar a discutir a questão do afeto. Comecei a pesquisar e esbarrei na livraria com ‘Contos de Amor e Ciúme’. Gostei do título e só depois vi que eram contos do Machado de Assis. Fiquei muito entusiasmada em criar uma peça sobre o ciúme a partir do universo do escritor”, lembra a diretora. “Todos nós sentimos ciúme, e a criança é muito ciumenta. Achei que era um tema importante. Para mim, teatro para criança, não tem que ser só uma história legal, tem que ser necessário”, acredita a diretora.

“Para nós é de extrema importância apoiar projetos artísticos voltados para o público infantojuvenil, ainda mais um espetáculo inspirado em um livro de Machado de Assis. A obra machadiana tem um valor significativo para o CCBB, já que foi tema do projeto multidisciplinar que abriu este centro cultural em outubro de 1989”, comenta Marcelo Fernandes, Gerente Geral do CCBB.

Machado de Assis era um meticuloso observador dos sentimentos humanos. Apesar de terem sido escritos no século XIX, os temas abordados na peça são atemporais. A dramaturgia de Eduardo Rios (autor da adaptação de “A Gaiola”) foi construída tendo como principais inspirações o poema “Círculo Vicioso” e os contos “A História de Uma Fita Azul” e “To Be or Not Be”. Este último faz parte da coletânea “Contos de Amor e Ciúme” (editora Rocco, organização de Gustavo Bernardo). “Chamei o Eduardo com a ideia de não ser uma adaptação de uma única obra, mas uma dramaturgia inspirada no universo do Machado”, explica Duda. “Gosto de trabalhar com uma narrativa fragmentada, uma história que não tem começo, meio e fim. Não é algo comum no teatro infantil.”

O elenco é formado por quatro atores, cantores e músicos: Diego de Abreu, Isadora Medella, Luciana Balby e Tiago Herz. Os atores participaram do processo de criação da montagem trazendo colaborações para as histórias de amor e ciúme que compõem a peça. Assinada por Ricco Viana, a trilha sonora original permeia todo o espetáculo, ora com trilha instrumental, ora com músicas cantadas e tocadas ao vivo pelos próprios atores. Entre as canções, uma foi inspirada no poema “O Verme”, no qual Machado descreve o ciúme como “um verme asqueroso e feio”, publicado em 1870 no livro de poesias “Falenas”.

O figurino criado por Kika Lopes (responsável pelos figurinos de “AUÊ”, musical premiado dirigido por Duda Maia) traz peças inspiradas na roupa íntima do século XIX, mas confeccionados com tecidos modernos, como a malha, permitindo uma movimentação mais fluida do elenco durante a peça. O cenário-instalação do ator e escultor Diogo Monteiro evoca o interior do corpo humano, sem deixar evidente quais partes do corpo estão representadas ali. A instalação é formada por cerca de 40 balões inflados revestidos de tule e com fuxicos em tons de vermelho e vinho aplicados por cima.

Previsto para estrear em 2019, o musical que vai encerrar a trilogia “Três Histórias de Amor para Crianças” é inspirado no livro “Vamos comprar um poeta”, do autor português Afonso Cruz, sobre uma sociedade imaginada, onde as famílias têm artistas em vez de animais de estimação.

CRÍTICAS
Tudo o que se possa escrever sobre ‘Contos Partidos de Amor’ será insuficiente diante de tamanho talento e competência de todas as pessoas envolvidas. (…) Trata-se de espetáculo corajoso, que ousa ser teatro dos bons, independentemente do horário em que é encenado.  Não me lembro de já ter visto no horário noturno (das peças ditas ‘adultas’) um espetáculo tão redondo, agudo, poético e certeiro sobre o ciúme. (Trecho da crítica de Dib Carneiro publicada no site Pecinha é a Vovozinha)

“Contos Partidos do Amor” satisfaz por completo quem ali busca uma forma mais apurada de expressão e conceituação. Mais uma vez, Duda Maia apresenta um trabalho referencial (Trecho da crítica de Renato Mello publicada no site Botequim Cultural)

“Contos Partidos de Amor” é um lindo espetáculo de Duda Maia, a mesma diretora dos premiados musicais “Auê” e “Gaiola”. E mais uma vez ela brilha! Com dramaturgia divertida de Eduardo Rios e trilha sonora original de Ricco Viana, o espetáculo tem elenco formado por quatro artistas que atuam, tocam e cantam: Diego de Abreu, Isadora Medella, Luciana Balby e Tiago Herz. Os atores se entregam de tal forma que é notável como terminam a peça emocionados. Também fiquei! (Trecho da crítica de Carolina Machado publicada no site Vida Carioca)

A DIRETORA
Duda Maia é formada pela Escola de Dança Angel Vianna, onde lecionou dança contemporânea por 13 anos. Foi professora de corpo do Curso Profissionalizante de Atores da CAL (1998-2008). De 1996 a 2006, foi diretora e coreógrafa da Trupe do Passo. Trabalhou como diretora de movimento com os diretores: André Paes Leme, João Falcão, Daniel Herz, Karen Acioly, Mauro Mendonça Filho, Aderbal Freire-Filho, Dudu Sandroni, Bruno Garcia, Michel Bercovitch, Fábio Ferreira, Guel Arraes, Miguel Vellinho, Marcelo Morato, João das Neves, Paulo José, Vera Fajardo, Paulo de Moraes e Ivan Sugahara.

Entre 2012 e 2014, recebeu o prêmio Zilka Sallaberry de Melhor Direção, ao lado de Lucio Mauro Filho, com o infantil “Uma Peça como Eu Gosto”. Dirigiu “Clementina, Cadê Você?”, musical inspirado na vida de Clementina de Jesus; e “A Dona da História”, de João Falcão. Fez a direção de movimento de “Fala Comigo como a Chuva e me Deixa Ouvir” e “Beija-me como nos Livros”, de Ivan Sugahara.

Dirigiu o musical “AUÊ”, do grupo Barca dos Corações Partidos. Sucesso de público e de crítica, “AUÊ” recebeu importantes prêmios de artes cênicas: Shell (Melhor Direção), Cesgranrio (Melhor Direção, Melhor Direção Musical e o Melhor Espetáculo), Botequim Cultural (cinco categorias, incluindo Melhor Direção e Melhor Espetáculo) e APTR (Direção Musical, Melhor Espetáculo e Produção).  A peça foi indicada ao Prêmio APCA de Melhor Direção. Duda Maia está indicada aos prêmios Bibi Ferreira e Prêmio Reverência de Teatro Musical, na categoria Melhor Direção.

É diretora do show “Farra dos Brinquedos”, banda com músicas originais e ritmos brasileiros para crianças. Em 2016, dirigiu o musical “A Gaiola”, vencedor dos principais prêmios de teatro infantojuvenil, incluindo Melhor Espetáculo e Melhor Direção: sete categorias no Prêmio CBTIJ; cinco categorias no Prêmio Botequim Cultural e três categorias no Prêmio Zilka Sallaberry

Este ano, Duda dirigiu “O Tempo Não Dá Tempo”, espetáculo itinerante em homenagem aos 90 anos de Angel Vianna, no OI Futuro Flamengo; e o musical “Elza”, atualmente em cartaz em São Paulo.

FICHA TÉCNICA

“Contos Partidos de Amor”
Baseado na obra de Machado de Assis
Texto: Eduardo Rios
Direção e roteiro: Duda Maia
Diretora Assistente: Leticia Medella
Intérpretes-criadores: Diego de Abreu, Isadora Medella, Luciana Balby e Tiago Herz
Trilha Sonora Original: Ricco Viana
Preparação Vocal: Agnes Moço
Figurino: Kika Lopes
Cenário: Diogo Monteiro
Iluminação: Renato Machado
Identidade Visual: Anna Cunha
Fotografia: Rai Junior
Direção de Produção: Bruno Mariozz
Produção: Palavra Z produções culturais
Idealização: Camaleão produções culturais

SERVIÇO:
Temporada: De 10 de novembro a 16 de dezembro.
Local: CCBB RJ – Teatro II (Rua Primeiro de Março, 66 – Centro).
Informações: (21) 3808-2020.
Dias e horário: Sábados, às 16h e às 19h. Domingos, às 16h.
No sábado, dia 1, após a apresentação de 16h, haverá um bate-papo com a diretora e o elenco.
No domingo, dia 2, às 19h, será realizado um ensaio aberto.
Ingressos: R$ 30 (inteira) | R$ 15 (meia para clientes e funcionários do BB, estudantes e maiores de 60 anos).
Bilheteria: de quarta a segunda, das 9h às 21h.
Vendas online: www.ingressorapido.com.br
Duração: 50min.
Capacidade: 100 lugares.
Classificação indicativa: Livre. Rec. Etária: 6 anos.
Acesso para portadores de necessidades especiais
Para mais informações: [email protected]
http://culturabancodobrasil.com.br/portal/