Tereza Cristina diz que “cumpriu legislação” ao conceder incentivos fiscais à JBS

Futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina, fala com repórteres em Brasília 08/11/2018 REUTERS/Adriano Machado
Futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina, fala com repórteres em Brasília 08/11/2018 REUTERS/Adriano Machado

A futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou nesta segunda-feira que “cumpriu a legislação vigente”, ao rebater reportagem do jornal Folha de S.Paulo, segundo a qual ela concedeu incentivos fiscais à empresa JBS na mesma época em que manteve uma parceria com a empresa.

De acordo com reportagem publicada na edição de domingo do jornal, a deputada Tereza Cristina (DEM-MS) arrendava uma propriedade em Terenos (MS) aos irmãos Joesley e Wesley Batista para a criação de bois e, ao mesmo tempo, era secretária estadual de Desenvolvimento Agrário e Produção de Mato Grosso do Sul.

“Quanto aos incentivos fiscais assinados à época em que ocupava a secretaria de Agricultura do Estado, a deputada cumpriu a legislação vigente e atuou em conformidade com as políticas de governo estabelecidos à época”, informou nota divulgada pela Frente Parlamentar da Agropecuária.

O documento diz ainda que Tereza Cristina “nunca recebeu doação direta do grupo JBS para sua campanha”.

“O recurso foi transferido via coligação partidária e aprovado pela Justiça Eleitoral.”

Em entrevista à CBN nesta segunda-feira, a deputada disse: “Eu não sou parceira da JBS… Matéria leva as pessoas a acreditarem que negociação foi feita de uma maneira não republicana, e não é verdade”.

De acordo com a nota da Frente Parlamentar da Agropecuária, a mãe da parlamentar estabeleceu contrato de parceria pecuária na exploração de um confinamento com a empresa JBS em 2009 e, no ano seguinte, com sua morte, o contrato passou à gestão de Tereza Cristina, na qualidade de inventariante de um condomínio de cinco irmãos.

“A relação comercial estabelecida pela família da deputada com a empresa JBS foi feita de forma legal e transparente”, acrescentou a nota.

Segundo a reportagem, os documentos assinados por Tereza foram entregues pelos delatores da JBS em agosto de 2017 como complemento ao acordo de delação premiada fechada em maio entre executivos da empresa.

No domingo, o presidente eleito Jair Bolsonaro disse que Tereza Cristina tem toda a sua confiança. “Ela já foi julgada?… Eu já fui representado umas 30 vezes na Câmara (dos Deputados) e não colou nenhum… No momento ela goza de toda confiança nossa”, afirmou Bolsonaro, após visitar evento esportivo no Rio de Janeiro.

(Por Tatiana Ramil, em São Paulo; edição de José Roberto Gomes)

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