Corte federal do Brooklyn, em Nova York, é policiada nesta segunda-feira (5), no primeiro dia do processo de julgamento do traficante 'El Chapo' — Foto: Mark Lennihan/AP Photo
Corte federal do Brooklyn, em Nova York, é policiada nesta segunda-feira (5), no primeiro dia do processo de julgamento do traficante 'El Chapo' — Foto: Mark Lennihan/AP Photo

Joaquín “El Chapo” Guzmán, acusado de liderar o maior cartel de drogas do planeta e de enviar mais de 155 toneladas de cocaína aos EUA durante 25 anos, começou a ser julgado nesta segunda (5) em Nova York sob medidas de segurança máxima.

O mexicano é considerado o maior traficante do mundo depois da morte do colombiano Pablo Escobar. Durante o processo que se estenderá por mais de quatro meses, o júri deve decidir se El Chapo, 61, é culpado ou não de 11 crimes de tráfico e distribuição de drogas, posse de armas e lavagem de dinheiro. Sua condenação pode acarretar prisão perpétua.

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Nesta segunda, começaram a ser escolhidos em um tribunal no Brooklyn os 12 jurados que decidirão o destino de El Chapo. Seus nomes não serão revelados e eles serão escoltados diariamente ao tribunal.

Extraditado do México em janeiro de 2017, El Chapo é acusado de criar e liderar de 1989 a 2014 o cartel de Sinaloa, cujos assassinatos a Promotoria tentará imputar a El Chapo durante o julgamento.

Segundo os promotores, El Chapo enviou aos EUA ao menos 154,6 toneladas de cocaína, além de várias toneladas de outras drogas, embolsando US$ 14 bilhões (cerca de R$ 52 bilhões no câmbio atual).

El Chapo se declara inocente, mas o governo apresentou tantas provas que a defesa alega não ter tempo de revisá-las: são mais de 300 mil páginas de documentos, ao menos 117 mil gravações de áudio e centenas de fotos e vídeos.

Sua extradição, há quase dois anos, e seu julgamento são um trunfo para o governo americano, que nunca conseguiu extraditar e julgar Escobar, chefe do cartel de Medellín que morreu em uma operação policial em 1993.

Um dos advogado de El Chapo, Jeffrey Lichtman, disse à AFP que o julgamento terá “centenas de testemunhas”.

Por ora, os nomess dos ex-sócios, funcionários e rivais que testemunharão contra El Chapo são sigilosos –muitos depõem sob pseudônimo.

Sua cooperação implica risco de morte para eles e seus familiares, mas, no caso dos que estão presos, traz proteção especial e pode ajudá-los a reduzir sua pena.

Os advogados de defesa deram poucas pistas dos argumentos que vão usar. Um deles, Eduardo Balarezo, disse em um documento do processo que vai tentar provar que seu cliente agia sob a direção de outros líderes. Outro advogado, Rob Heroy, estima que o processo custará “mais de US$ 50 milhões”. “É o julgamento mais caro da história dos EUA”, afirma.

El Chapo está preso em uma cadeia em Manhattan, onde passa 23 horas por dia sozinho. Os únicos que podem visitá-lo são suas filhas gêmeas, de sete anos, e seus três advogados –sempre separados por um vidro. Ele não pode ver a mulher, Emma Coronel, uma ex-miss de 29 anos.

Preso pela primeira vez na Guatemala em 1993, El Chapo passou mais de sete anos em uma prisão mexicana antes de escapar pela primeira vez, em 2001.

Detido novamente no México em fevereiro de 2014, fugiu novamente 14 meses depois.
Guzman foi recapturado em janeiro de 2016, após receber a visita do ator de Hollywood Sean Penn e da atriz mexicana Kate del Castillo, que queriam produzir um filme sobre sua vida. O encontro ajudou autoridades do México a descobrir seu paradeiro.

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