Milhem Cortaz interpretará o delegado Machado em O Sétimo Guardião (Foto: João Cotta/Gshow)
Milhem Cortaz interpretará o delegado Machado em O Sétimo Guardião (Foto: João Cotta/Gshow)

Milhem Cortaz, 45, aproveita um pequeno intervalo das gravações de “O Sétimo Guardião”, próxima trama 21h da Globo, para conversar com a imprensa.

Chega ávido para falar sobre seu personagem, o delegado Joubert, que não gosta de usar cueca e só se sente homem de verdade vestindo calcinha.

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“Quero muito falar sobre isso. Estou empolgado para colocar a minha vontade e o meu porquê neste personagem.”

“O Sétimo Guardião” tem previsão de estreia para meados de novembro. A trama marca o retorno de Aguinaldo Silva ao realismo fantástico, que notabilizou seus trabalhos em “Roque Santeiro”, “Tieta”, “Pedra sobre Pedra”, “Fera Ferida”, “A Indomada” e “Porto dos Milagres”.

A trama central acontecerá na cidade fictícia de Serro Azul, em que há uma fonte com poderes rejuvenescedores, protegida por sete guardiães -um deles é o personagem de Milhem Cortaz.

“Ele é responsável por harmonizar a confusão e as discussões dos guardiões. Ele tem pé no chão. Por isso, tem muito medo das pessoas descobrirem o segredo dele, pra ele não perder essa credibilidade”, afirma o ator.
Casado com Cássia (Flávia Alessandra), uma aspirante a atriz que sonha se tornar famosa, Joubert é fiel é extremamente apaixonado pela esposa.

“Eles são um casal hétero. Não entramos em nenhum momento na discussão da sexualidade”, afirma Cortaz.
“É um casamento de muito amor, paixão e dedicação. Esse tema chega na relação deles para que sejam discutidas as vontades de cada um. Isso sacode a vida sexual do casal, anima, bota fogo e mostra que mesmo depois de tanto tempo eles ainda se amam e se completam. Acho um puta casal”, diz.

Flávia Alessandra, 44, elogia o parceiro de cena e diz que não há regras para a adoção de fantasias na relação de um casal: “Contanto que os dois topem e que não fira um lado nem outro, está tudo certo. Depois, a minha personagem também revela que tem uma fantasia, mas não posso dizer ainda qual é”.

Diante de um papel complexo, que joga luz à diversidade e que foge da realidade de seu dia a dia, Cortaz afirma que tudo o que deseja agora é conseguir interpretar Joubert com a delicadeza e o respeito que o personagem merece.

“Já fiz lutador de jiu-jitsu, polícia, ladrão e agora estou envolvido com essa história da feminilidade do homem […] Nunca fiz algo tão complexo e delicado num horário tão nobre, das 21h, em que o retorno será imediato. Tenho esse desafio de defender o personagem de forma delicada e fazer com humor.”

O ator, que vai aparecer usando calcinha na novela, diz que nunca se preocupou com um possível estranhamento que possa causar no público. Ele afirma que deseja que as pessoas se identifiquem com o personagem e que se abram para as novas possibilidades do mundo.

“É tudo tão mais legal e aberto hoje do que era antigamente. Vejo pela minha filha [Helena,10]. Apesar de ser uma criança que brinca de boneca, quando a gente senta para conversar é tudo mais evoluído. A informação e o mundo são muito mais livres hoje. Esse é o grande barato. Eu como artista não posso julgar. Se eu fizer isso, estarei caindo numa cilada. Tenho que ir lá e fazer com amor, da melhor forma possível.”

Cortaz afirma que, agora, o que mais escuta são histórias de homens que adoram usar calcinha. Usam para trabalhar, para ficar em casa, para se relacionarem com suas companheiras.

O ator evidencia duas dessas histórias: uma de um homem assumidamente crossdresser, e outra de um homem que ainda não consegue assumir publicamente e socialmente as suas preferências de vestimenta.

“Conheci um cara que guarda esse segredo a sete chaves. Ele tem muita dificuldade de abrir isso, não só para a mulher dele como para os amigos. Nossa conversa foi bem truncada, apesar de ele estar com vontade de falar […] Sinto que apesar da liberdade que existe no íntimo dele, o problema dele é com ele mesmo. Não sei se ele não se aceita… O problema é mais embaixo. Ele usa calcinha diariamente, mas não consegue se expor”, conta.
E emenda: “O outro cara é chamado pela esposa por um nome feminino e só se veste de mulher, mas ele é um garanhão. É casado com uma mulher, de classe alta, só transa com mulher. Esse é um verdadeiro crossdresser. Não tem nada a ver com orientação sexual, pelo que entendi. E acho que isso é legal de ser discutido”.

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