O economista Paulo Guedes, que comanda o núcleo econômico da campanha do candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro, desmentiu hoje (9) a proposta de retomar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o imposto do cheque. Ele ficou ao lado do candidato na primeira entrevista concedida após o resutlado do dia 7.

Em entrevista ao site UOL, à Rádio Jovem Pan e ao Pânico, transmitida ao vivo, Guedes afirmou que estuda a proposta do seu colega Marcos Cintra de criar um imposto único. Segundo ele, a fórmula é a favor dos mais pobres, pois elimina os impostos indiretos, que são regressivos, e permite simplificar tudo em uma única alíquota.

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Guedes disse ter sido mal interpretado durante palestra fechada e organizada por uma empresa de aconselhamento e gestão de fortunas familiares, em setembro, e que estava analisando duas propostas: ir para o imposto único federal, com a base no valor adicionado, ou uma outra, com base nas transações financeiras.

Segundo o economista, o estudo de Cintra prevê imposto único com alíquota de 15%, mas ele decidiu encampar a proposta com 20%. “Isso que o Jair está falando que vai ter isenção para todo mundo e depois é 20%, na proposta dele era 15%, eu é que fui conservador e disse vamos manter em 20%. O que está se falando aí, é um absurdo, é equivocado, é de gente despreparada vazando coisa que não conhece.”

Mercado

Ao defender o aumento da competitividade no mercado brasileiro, Guedes criticou a concentração de recursos no governo federal nos últimos 20 anos, que teria favorecido grandes grupos financeiros e empresariais e criado carteis, porém ressaltou que os orçamentos incluíram políticas públicas. “Essas políticas públicas, evidentemente, serão mantidas, o Bolsa Família como disse o Jair vai ser aumentado.”

Para o economista, a concentração de recursos no governo federal é característica de sistema social democrata. “O dinheiro está concentrado e aí faz um pouco de assistencialismo com o andar de baixo e faz alguns grandes negócios com o andar de cima, em vez de focar na criação de uma classe média emergente, na competição do mercado, do preço razoável quando tem uma competição. Não é isso que tem acontecido no Brasil. A economia do Brasil é uma das mais fechadas do mundo.”

Guedes disse que o caminho da prosperidade é o de grandes nações que foram construídas por meio de mecanismos de inclusão social. Apontou que “a maior ferramenta” para criar dignidade e riqueza é a economia de mercado.

“Chineses, soviéticos, ex-socialistas, vítimas do socialismo que mergulharam nos mercados globais e estão escapando da miséria, enquanto isso estamos fechando e cartelizando a nossa economia”, afirmou o economista, informando que a eleição de 2018 é baseada em princípios e valores, por isso não adianta fazer “pegadinhas” sobre economia.

Privatizações

Além da entrevista, Guedes acompanhou Bolsonaro em encontro na casa do empresário Paulo Marinho, na zona sul do Rio de Janeiro, onde o candidato gravou programas eleitorais. Ao falar com jornalistas, o economista voltou a defender a privatização de empresas estatais argumentandi que o país já está atrasado no que classificou de uma reforma do Estado.

“Em vez do Estado-empresário, em vez de recursos centralizados no governo federal, fazendo estádio de futebol, tem que descentralizar esses poderes. Tem que acelerar as privatizações para continuar a reforma do Estado”, disse.

Sobre a reforma da Previdência, Paulo Guedes disse que, antes de tudo é uma questão política, mas que, como economista, acredita que quanto mais cedo ela for feita, melhor para a saúde financeira do país.
“Nós estamos atrasados”, concluiu.

* Colaborou Vladimir Platonow