O Teatro Sesc Ginástico recebe, de 12 a 21 de outubro, a estreia nacional do espetáculo “Malala, a menina que queria ir para a escola”, primeira adaptação teatral do livro-reportagem infanto-juvenil da escritora e jornalista Adriana Carranca.

Idealizado pela atriz Tatiana Quadros, com direção de Renato Carrera, adaptação de Rafael Souza-Ribeiro e canções originais de Adriana Calcanhotto, o espetáculo narra a viagem da jornalista Adriana Carranca ao Paquistão, dias depois do atentado à vida de Malala por membros do Talibã, por defender o direito de meninas à educação.

A peça conta a saga de uma jornalista, curiosa, desbravadora e inquieta, que atravessa meio mundo para descobrir o que aconteceu de verdade com uma menina chamada Malala Yousafzai e porque ela estava sendo perseguida. Era uma missão perigosa, pois a terra natal de Malala, um vale de extraordinária beleza no interior do Paquistão, havia se tornado um território proibido para jornalistas. Vestida como as mulheres do Vale do Swat, a jornalista circula pelas ruas da cidade, se hospeda na casa de moradores locais, conhece as amigas de Malala, sua escola e até mesmo a casa onde morava.

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“Ficou claro para mim que esta era uma história inspiradora para os pequenos, por Malala ser apenas uma menina, uma jovem de uma zona tribal que acreditou nos seus sonhos. Por ser uma história de amor a escola, aos professores e aos livros”, comenta Adriana Carranca. “Eu queria muito que as crianças brasileiras também acreditassem que é possível mudar o mundo.”

Dessa experiência, Adriana Carranca publicou, em 2015, o livro-reportagem infanto-juvenil “Malala, a menina que queria ir para a escola”, que foi vencedor do Prêmio FNLIJ, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil nas categorias Escritora Revelação e Livro Informativo. A obra também foi recomendada pela FNLIJ para adoção nas escolas. Lançado em Portugal e em todos os países da América Latina, em breve o livro ganhará uma tradução para o alemão, turco e urdu.

“Transformação. Esta foi a palavra que tomei como norte para a encenação. O espetáculo narrado por oito atores e um músico, é localizado num quintal brasileiro. O quintal mágico onde tudo se transforma: peteca vira caneta, balão vira abóbora, tijolo vira cadeira. Uma casa vira escola. Com coreografias, projeção e percussão ao vivo, os atores se dividem em diversos personagens. Revisitamos nossas brincadeiras de quintal para encontrar a Malala que existe dentro de cada um de nós. Criança ou adulto. Um papel e uma caneta podem mudar o mundo e eles estão em nossas mãos”, afirma o diretor Renato Carrera.

“Li Malala, a menina que queria ir para a escola em 2015, na noite de lançamento do livro. Logo nas primeiras linhas, a cortina se abriu e a cada página que virava um refletor se acendia. Encenar essa história no palco, nesse momento em que travamos uma luta incansável contra tantas formas de opressão se faz necessário”, comenta Tatiana Quadros, atriz e idealizadora do espetáculo.

“Fiquei muito feliz por ter sido lembrada para escrever canções para a peça porque acompanho a trajetória de Malala desde sempre, com muita admiração por sua coragem e inteligência. Vejo a influência que ela exerce em Oxford e no mundo todo e acho linda a relação com seu pai, que fortalece aos dois e à luta de ambos por um mundo melhor. Gostei de compor pensando em Malala porque, no fundo, quando crescer quero ser igual a ela”, se diverte Adriana Calcanhotto.

A estreia de “Malala, a menina que queria ir para a escola” será no dia 12 de outubro, sexta-feira, às 16h, no Teatro Sesc Ginástico. Nos dias 13, 14, 20 e 21 de outubro, sábados e domingos, haverá sessões duplas às 11h e 16h.

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Além do espetáculo teatral o projeto inclui ações socioeducativas: sessões gratuitas do espetáculo, exclusivas para escolas públicas, nos dias 16, 17, 18 e 19 de outubro; realização de oficina gratuita para jovens de baixa renda, a partir do tema “Os doze direitos da mulher traçados pela ONU”; ações de sustentabilidade; campanha de arrecadação de livros e incentivo à leitura.

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Malala Yousafzai nasceu em Mingora, a maior cidade do Vale do Swat, na província de Khyber-Pakhtunkhwa do Paquistão, uma região de extraordinária beleza, cobiçada no passado por conquistadores e protegida pelos bravos guerreiros pashtuns – os povos das montanhas. Uma região habitada por reis e rainhas, príncipes e princesas, como nos contos de fadas. Malala cresceu entre os corredores da escola de seu pai, Ziauddin Yousafzai, e era uma das primeiras alunas da classe. Quando tinha dez anos viu sua cidade ser controlada por um grupo chamado Talibã. Eles vigiavam o vale noite e dia, e impuseram muitas regras. Proibiram a música e a dança, baniram as mulheres das ruas e determinaram que somente os meninos poderiam estudar. Mas Malala foi ensinada desde pequena a defender aquilo em que acreditava e lutou pelo direito de continuar estudando. Usando um pseudônimo, tornou-se correspondente da BBC, através de um blog onde relatava ao mundo o impacto diário do Talibã no Vale do Swat, denunciando o regime de opressão medieval, em choque com os mais elementares princípios dos direitos humanos. Ela fez das palavras sua arma. A ousadia de Malala, que acabou por selar seu destino, foi declarar publicamente, um ano antes do atentado, que queria ser política para ajudar seu povo. Em 9 de outubro de 2012, aos 15 anos, quando voltava de ônibus da escola, sofreu um atentado a tiro, em retaliação a sua luta pelo direito feminino à educação. Em seu discurso na ONU – primeira aparição publica após o atentado – Malala prometeu que não seria silenciada e afirmou: “A caneta é mais poderosa que a espada”. Avançou firme em direção ao seu propósito e travou uma luta global contra o analfabetismo, a pobreza e o terrorismo, convocando todos os governos a assegurar a educação obrigatória livre e a elaborar um acordo de paz com intuito de proteger os direitos de meninas à educação. Em 2014 tornou-se a mais jovem vencedora do Prêmio Nobel da Paz.

Adriana Carranca é jornalista. Atualmente mora em Nova York, cobrindo histórias de migração e gênero. É colunista do jornal O Globo, comentarista do programa Pelo Mundo da Rádio CBN, além de colaborar com publicações internacionais. Escreve principalmente sobre conflitos, tolerância religiosa e direitos humanos, com olhar especial sobre a condição das mulheres. Suas reportagens foram publicadas por revistas como a americana Foreign Policy e a edição francesa da Slate, entre outras. Esteve na Síria e Iraque, para reportagem especial sobre a guerra e a crise dos refugiados. Antes disso, cobriu extensamente a guerra no Afeganistão e Paquistão, onde estava quando o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, foi morto em uma operação dos EUA. Mergulhou no universo de países muçulmanos como Irã, Egito e Indonésia e nos territórios palestinos para reportagens especiais. Acompanhou de perto alguns dos conflitos mais sangrentos da África, como as guerras na República Democrática do Congo, Sudão do Sul e Uganda. Foi correspondente na ONU, em Nova York. Em 2012, passou temporada como pesquisadora convidada do Instituto Reuters para Estudos do Jornalismo, na Universidade de Oxford. No ano seguinte, integrou o Projeto de Jornalismo Internacional, da Universidade Johns Hopkins, de Washington. Tem três livros-reportagens publicados: “O Irã sob o chador” (Ed. Globo), finalista do prêmio Jabuti; “O Afeganistão depois do Talibã” (Civilização Brasileira); e o infantil “Malala, a menina que queria ir para a escolar” (Companhia das Letrinhas). É formada em jornalismo e tem mestrado em Políticas Sociais e Desenvolvimento pela London School of Economics (LSE), como bolsista Chevening. Adriana também tem trabalhos nas áreas de fotografia e documentário. Co-dirigiu “E se for menina?”, filme-documentário sobre adolescentes envolvidas com o crime em São Paulo, personagens que acompanhou por sete anos. Sua exposição fotográfica “Outono em Cabul” circulou pelo Brasil. Uma das imagens foi escolhida pela ONU para integrar a campanha Humanizing Development. Recebeu o Prêmio Esso, menção honrosa com a série de reportagem “Guerras da África”; o Prêmio Líbero Badaró, na categoria reportagem internacional, com “Sudão do Sul: a guerra esquecida”; novamente o Prêmio Líbero Badaró, grande prêmio, com a série “Coletânea da guerra no Afeganistão” e sete edições do Prêmio Estado de Jornalismo.

Renato Carrera, como diretor, seus trabalhos mais recentes, em 2017, foram “Gisberta”, com Luis Lobianco, em diversas temporadas no Rio de Janeiro e Brasília e “2 x Nelson – A Falecida e A Serpente” com um elenco de 30 atores, no Teatro Ziembinksk. Em 2016 é indicado ao Prêmio Shell de melhor diretor e melhor ator, aos prêmios Cesgranrio, APTR e Questão de Crítica pela direção de “Abajur Lilás” de Plínio Marcos e por sua interpretação de Sra. Simpson em “O Homossexual ou a Dificuldade de se Expressar” de Copi, com direção de Fabiano de Freitas. Em 2010 dirigiu “Savana Glacial”,  Prêmio Shell de melhor texto (Jô Bilac), atualmente excursionando pelo Brasil e se apresentando nos principais festivais de teatro do país, foi considerado um dos 10 melhores espetáculos de 2010 pelo O Globo. Como ator, foi dirigido por Ana Kfouri nos espetáculos “Preguiça”, “Esfíncter” e como protagonista de “Senhora dos Afogados”, no papel de Misael. Idealizou e protagonizou o espetáculo “O Ateliê Voador” de Valère Novarina, dirigido pelo francês Thomas Quilladert, no Espaço Sesc, dentro do projeto “Novarina em Cena”, projeto que integrou o Ano da França no Brasil 2009. Em 2010 atuou na peça “Tentativas Contra a Vida Dela”, direção de Filipe Vidal. Em 2011 dirigiu “A Morte do Pato”, texto de sua autoria e atuou em “Feriado de Mim Mesmo”, texto de Santiago Nazarian com direção de Fabiano de Freitas. Vencedor de dois Prêmios Mirian Muniz, em 2012 com “Assassinas por Amor”, sua idealização e direção, com texto de Márcia Zanelatto, e em 2013 com a circulação do infantil “Histórias de Jilú”, indicado ao Prêmio Zilka Salabery de Teatro Infantil de melhor cenário, figurino e atriz. Em 2013 dirigiu e idealizou “Vestido de Noiva” de Nelson Rodrigues vencedor do Prêmio Questão de Crítica de melhor espetáculo. Em 2015 dirige “Dois Amores e um Bicho” de Gustavo Ott, com os Clowns de Shakespeare, ficando em cartaz em Natal e no Sesc Pompéia, depois “Hipnose” de Marcia Zanellatto. Atualmente este fazendo assistência da direção geral da novela Jesus, que estreia em julho, na Record e, no segundo semestre de 2018 vai dirigir o espetáculo infanto juvenil “MALALA, a menina que queria ir para escola”, no CCBB Rio. Em 2018 Renato Carrera completa 30 anos de carreira.

Serviço

“Malala, a menina que queria ir para a escola”
de Adriana Carranca
Adaptação: Rafael Souza-Ribeiro
Direção: Renato Carrera
Canções Originais: Adriana Calcanhotto
Elenco: Adassa Martins, Dulce Penna, Fernanda Sal, Hugo Germano, Ivson Rainero, José Karini, Marcelo Valentim, Patrícia Garcia e Tatiana Quadros & o músico Adriano Sampaio com percussão original.
Local: Teatro Sesc Ginástico
Endereço: Av. Graça Aranha, 187, Centro, Rio de Janeiro
Informações: (21) 2279-4027
Estreia dia 12 de outubro, sexta-feira, às 16h.
Temporada: 12, 13, 14, 20 e 21 de outubro.
Horários: Sexta, às 16h, sábados e domingos, às 11h e 16h.
Ingressos: R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia)
Funcionamento da Bilheteria: de terça a domingo, das 13h às 20h.
Lotação: 513 lugares
Duração: 70 minutos
Classificação: Livre