UNICEF e OIM apontam desafios enfrentados por crianças e adolescentes venezuelanos no Brasil

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Quem são as crianças e os adolescentes venezuelanos que têm chegado ao Brasil nos últimos meses? Quais são suas necessidades e vulnerabilidades?

Para responder essas perguntas, a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) publicaram uma nova edição do monitoramento do fluxo migratório venezuelano, tendo como foco a infância e a adolescência.

A pesquisa foi realizada com apoio financeiro do Fundo Central de Resposta de Emergência das Nações Unidas (CERF, na sigla em inglês) e do Escritório para População, Refugiados e Migração (PRM) do governo norte-americano.

A pesquisa, realizada nas cidades de Pacaraima e Boa Vista (RR) de maio a junho de 2018, mostra os desafios que os venezuelanos enfrentam quando chegam ao país, em especial as crianças e os adolescentes.

Foram entrevistadas quase 4 mil pessoas, das quais 425 estavam com seus filhos menores de 18 anos ou acompanhando algum menor de idade. Foi possível, assim, coletar informações sobre 726 crianças e adolescentes. Desses, 479 estavam nos bairros de Boa Vista e Pacaraima, 171 na fronteira de Pacaraima com a Venezuela e 76 na Rodoviária de Boa Vista.

Os dados mostram que muitas das meninas e meninos que chegam ao país encontram dificuldades para frequentar a escola. Um número considerável tem acesso a saúde, mas está vulnerável devido a problemas de higiene e alimentação. Também há relatos de crianças que estão expostas à violência.

Seguem abaixo os principais dados do monitoramento.

Educação

Do universo de crianças e adolescentes venezuelanos analisados, 63,5% não frequentam a escola. As razões para a ausência escolar incluem falta de vagas, distância e custos.

Olhando apenas a idade escolar obrigatória, mais da metade (59%) das crianças e adolescentes venezuelanos entre 5 e 17 anos não frequenta a escola. A porcentagem para esta categoria é maior na faixa etária de 15 a 17 anos, onde 76% não frequentam a escola.

Saúde

A maioria das crianças e adolescentes (87,1%) analisadas estava com as vacinas atualizadas e 70% tinham acesso aos serviços de saúde. Porém, as condições sanitárias podem criar problemas.

Do total de entrevistados da pesquisa, 60% afirmaram que não tinham acesso a água mineral filtrada para beber, e 45% não tinham acesso regular a água para cozinhar e para garantir sua higiene pessoal. Além disso, 28% das pessoas menores de 18 anos disseram ter tido diarreia no último mês.

Segurança alimentar

Desde que chegaram ao Brasil, 115 crianças e adolescentes venezuelanos (16%) passaram por algum momento em que não tiveram comida suficiente.

Ao menos 128 tiveram que reduzir o número de refeições diárias; 93 sentiram fome e não conseguiram alimentos; e 84 disseram ter passado por um dia em que comeram uma vez ou não comeram.

Trabalho infantil

Desde que chegaram ao Brasil, 16 dos entrevistados responderam que, em algum momento, uma criança ou adolescente sob sua responsabilidade trabalhou ou fez algum tipo de atividade esperando obter algum tipo de pagamento.

Violência sexual

Um total de 14 crianças e adolescentes deram resposta positiva à pergunta: “Desde que chegou ao Brasil, você já conheceu uma criança ou adolescente que estava em risco de violência sexual?”.

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