Marcos Paqueta.Treino do Botafogo no Estadio Nilton Santos. 29 de Junho de 2018, Rio de Janeiro, RJ, Brasil. Foto: Vitor Silva/SSPress/Botafogo.

O período sem jogos está chegando ao fim e logo o torcedor botafoguense matará a saudade de ver o Botafogo em campo novamente. O primeiro desafio será diante do Corinthians, quarta-feira, em Itaquera. O treinador Marcos Paquetá fez um balanço das primeiras semanas de trabalho no comando da equipe e acredita que o Botafogo está em evolução para a segunda parte do Campeonato Brasileiro. Uma equipe sacrificada fisicamente no período de treinos para voltar com força e aguentar uma dura sequência que se aproxima.

– O trabalho está sendo muito legal e de rápido entrosamento, até por ser muito transparente com os jogadores. A gente focou mais na parte física, por isso dividimos o grupo em várias partes. Até para dar oportunidade para todo mundo jogar em suas funções e tivemos uma resposta bem boa nesses treinamentos – disse Paquetá, que também projetou o duelo contra o Corinthians.

– Uma partida que jogamos no campo adversário e sabemos que atuar lá sempre é muito complicado. Mas todo mundo muito consciente e preparado para esse jogo. Teremos mais três ou quatro dias para fazermos alguns ajustes em cima do que vemos do adversário. Eles optaram por fazer jogos contra equipes que também estão voltando e optamos por enfrentar equipes que já estão com ritmo de jogo, para aumentar a intensidade. Quando se enfrenta equipes em ritmo de competição acaba sendo mais difícil do que enfrentar equipes que também estão voltando no mesmo nível. Essa foi uma opção nossa e sabemos que equipes desse porte vem jogar contra o Botafogo com os jogadores buscando uma chance. Foi uma atitude proposital, o que exigiu muito dos nossos atletas fisicamente. Trabalhamos em cima do desgaste físico do atleta para que a gente tenha uma resposta lá na frente – comentou.

Confira os demais trechos da entrevista coletiva de Marcos Paquetá no Estádio Nilton Santos:

BALANÇO DOS JOGOS-TREINO

– O resultado para nós não era o mais importante e sim dar um ritmo de jogo a esses jogadores. Queria ver todo mundo jogando e em alguns jogos acabamos mantendo um grupo que estava mais parado, com jogadores voltando de lesão. Fizemos questão que participassem, alinhamos bem isso com a Fisiologia. Foi muito gratificante por trabalharmos em cima da dificuldade dos dez dias de inatividade que os atletas tiveram. O desgaste foi grande na primeira participação no Campeonato Brasileiro e nessa parada tivemos muitas coisas a serem feitas. A parte física dos atletas, a questão emocional e a própria mudança inesperada que o clube passou. Isso pegou todo mundo de surpresa, não só os atletas como também a direção.

A FÓRMULA PARA KIEZA E AGUIRRE

– Acho que estamos encontrando a melhor situação para usarmos os dois. São dois atletas de características parecidas. Vi vários jogos do Aguirre atuando pelos dois lados, por dentro. É um jogador de grande versatilidade, mas que ainda não está 100% pronto, tanto fisicamente quanto tecnicamente. Essa adaptação é importante para que possamos colocá-lo na equipe passo a passo para que aproveite a qualidade que tem. Ele terá um bom espaço dentro da competição para demonstrar o seu valor. O Kieza eu já conheço, trabalhou inclusive no mundo árabe numa equipe em que já trabalhei. É um jogador inteligente, experiente, que sabe usar os espaços e que infiltra bem. Uma das coisas que vamos buscar melhorar na equipe é esse aspecto da infiltração. Temos que usar um pouco mais a profundidade. Mantemos a posse da bola, mas temos que explorar esse aspecto também por termos jogadores para isso.

A VERSATILIDADE DOS VOLANTES

– São dois jogadores de características diferentes, né. O Marcelo é um jogador mais cadenciado, que toca, aproxima e que também está precisando de ritmo de jogo. Atuou pouco na temporada, foram seis ou sete jogos. Veio de um nível de competição não tão forte como temos aqui e ainda veio de contusão. Isso tudo fez com que eu focasse nele. Quero conhecer bem o jogador, tenho boas recomendações dele de outros amigos que trabalharam com ele. O Matheus Fernandes é um jogador que a gente já conhece e com grandes chances de sair do clube por conta da sua capacidade e bons jogos que fez. São dois jogadores que vão nos atender bastante, até pelo Jean não poder nos atender nessa partida contra o Corinthians. Também é um jogador com um perfil diferente dos dois, o que é legal por contarmos com três jogadores de perfis diferentes para utilizarmos da melhor maneira.

META ALVINEGRA

– O objetivo de qualquer equipe é ser campeã. Todas as equipes possuem limitações e temos que buscar os nossos objetivos dentro das nossas e também do nosso potencial. A primeira ideia é ficar dentro da zona de classificação para a Libertadores e no decorrer da competição vamos ver como as coisas vão saindo. Qualquer resultado positivo de joga para cima e temos que pensar sempre para cima mesmo. Olhar para baixo só te leva a pensar no negativo.

APRENDIZADO DA COPA DO MUNDO

– Tivemos várias escolas diferentes e Copa do Mundo é uma competição completamente atípica. As equipes se comportam de maneiras diferentes dentro da mesma competição. Muitas vezes uma equipe joga por uma bola e acaba vencendo o jogo. Muita gente vê como injustiça, mas não acho que no futebol haja injustiça. Futebol é resultado. Temos que tirar proveito de algumas coisas interessantes como a bola parada, o que não é de hoje. Sempre foi decisiva, inclusive contra nós mesmos em algumas Copas que saímos pela bola parada.

ACOSTUMADO COM AS ADVERSIDADES DA BOLA

– Cada região tem sua peculiaridade. Trabalhei em lugares em que se tinha uma semana inteira para trabalhar, em outro jogávamos de dois em dois dias sem saber contra quem, quando, o local e o horário da partida. Então é preciso estar preparado. A gente não se surpreende, mas entende a dificuldade dos clubes brasileiros. Há uma dificuldade grande para os atletas e também para os treinadores. A performance do jogador não será a mesma em todos os jogos, é humanamente impossível com toda essa logística de viagens e pouco tempo para trabalhar. E é isso que vai acontecer daqui pra frente. Teremos um período de intervalo de dois dias até o dia 1 de agosto e viajando. Humanamente impossível exigir um bom rendimento da equipe nesses jogos, mas é essa a realidade e temos que trabalhar com isso. Por isso fizemos um volume grande de trabalho, com intensidade, desgaste – os jogadores até reclamaram bastante, mas explicamos o motivo a eles – para nós podermos enfrentar essa maratona de jogos que vamos ter.

BOLA PARADA DECISIVA

– Com a falta de tempo para treinar eu acho que a bola parada vai ser um momento do jogo bastante utilizado na segunda parte da competição. Com um menor tempo para treinar, o momento é treinar o emocional do atleta, o que precisa melhorar para o próximo jogo e a bola parada. Essa será a tônica maior.

DISPUTA NA LATERAL-DIREITA

– É só o Marcinho melhorar. Ele está doente, com uma virose muito forte, inclusive progredindo para pneumonia. É um jogador que sempre me chamou atenção pela sua dinâmica de jogo e voluntariedade dele. Estamos pensando em utilizá-lo em outra função mais na frente. Esperava utilizá-lo em outra função já nesse jogo por situações que podem ocorrer durante a partida, mas será uma briga boa de um jovem com um jogador experiente.

ESBOÇO EM MENTE

– Dentro da cabeça está definido, mas a cada dia aparece uma novidade. Estamos dando uma oportunidade maior para o Luiz Fernando e ele acabou tendo um abscesso no dente e teve que extrair um dente. São 48h sem poder treinar, o que já nos gera uma dúvida. Estamos buscando alternativas. Ontem todos jogaram para observarmos também para esse próximo jogo. Está todo mundo concorrendo e acho que isso cria um espírito sadio de competição entre os atletas e eleva o nível de todos.

O JOGO COM DOIS EXTERNOS

– Muitas pessoas acham que se troca um jogador por alguma deficiência técnica ou tática, o que muitas vezes não é. Por muitas vezes jogar com dois extremos gera um desgaste muito grande. Pode observar que em todas as equipes que jogam dessa maneira esses jogadores são  muito sacrificados, assim como os volantes. O jogador não consegue manter o mesmo ritmo com tantos jogos em curto espaço de tempo.

BASE MANTIDA E RADAR LIGADO

– Acho que o Botafogo optou em manter a base e muitas equipes perderam jogadores. Alguns por contusão, outros por venderem jogadores e acho que o grande ganho da nossa equipe foi esse. Um jogador para chegar tem que realmente fazer a diferença. Trazer por trazer não vai nos ajudar. O radar está aceso em busca das nossas necessidades. Todo bom jogador é bem-vindo se tiver dentro das necessidades do nosso elenco. Temos um bom grupo de analistas de desempenho que buscam atletas diariamente e estamos na torcida que apareça algum atleta para qualificar o nosso elenco.