Vladimir Platonow/Agência Brasil/Agência Brasil
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Em sessão extraordinária, realizada nesta quinta-feira (12), a maioria dos vereadores da Câmara do Rio rejeitou a admissibilidade das denúncias de infração político-administrativa contra o prefeito Marcelo Crivella. Foram 29 votos a favor do arquivamento do processo, ante os 16 votos contrários. A sessão contou com a presença de 47 parlamentares, mas dois ? o presidente da Casa, Jorge Felippe (MDB), e Átila Alexandre Nunes (MDB), estavam impedidos de votar. Este último por ter protocolado no parlamento pedido de cassação do mandato do chefe do Poder Executivo.

 

A sessão foi aberta pelo presidente da Casa, que iniciou as discussões sem a leitura das duas denúncias de infração político-administrativa protocoladas no Legislativo. Na ocasião, o parlamentar ressaltou que o rito obedeceria ao inciso II, do Art. 5º do Decreto nº 201/1967, que diz que o recebimento da denúncia deve ser decidido pela maioria dos presentes.

 

Primeiro orador do dia, o vereador Renato Cinco (PSOL), a favor da abertura de investigação contra Marcelo Crivella, afirmou que está convencido que a Câmara do Rio precisa apurar se o chefe do Poder Executivo cometeu ou não crime de responsabilidade. Para Teresa Bergher(PSDB), que também defendeu a investigação do prefeito, a segunda maior cidade do país não merece continuar sendo governada por um prefeito que faz da Prefeitura uma sucursal da Igreja Universal. “O prefeito Crivella não apenas rompeu com os valores republicanos, mas criou um novo princípio para sua gestão: o da pessoalidade”, destacou.

 

Do bloco favorável ao arquivamento do processo contra Crivella, a vice-presidente da Casa, vereadora Tânia Bastos (PRB), lembrou a importância do respeito a todos os líderes religiosos, sem distinção. “Vivemos num país democrático, que diz na sua Constituição que a liberdade religiosa é inviolável. O prefeito Crivella é um homem íntegro”. Líder do governo, o vereador Dr. Jairinho (MDB) lembrou que existe uma lei federal que isenta os templos religiosos do pagamento do IPTU. Na reunião realizada pelo prefeito com líderes religiosos, este teria sido um ponto mencionado pelo chefe do Executivo. “A matéria precisa ser tratada de forma responsável. Há um abuso com a democracia”.

 

Leia abaixo o que alguns vereadores falaram durante a sessão extraordinária:

 

“Não existe fundamento nenhum no momento para estabelecer processo de impeachment, até porque a crise é grave, e não é desta forma que resolveremos os problemas da nossa cidade” Vereador Felipe Michel (PSDB)

 

“Hoje parece que estamos travando uma guerra religiosa. O prefeito Marcelo Crivella há de realizar a melhor gestão  que já houve na cidade do Rio de Janeiro” Vereador Inaldo Silva (PRB)

 

“Queremos discutir no Plenário desta Casa se o princípio básico da igualdade foi ferido ou não pelo prefeito Marcelo Crivella” Vereador Tarcísio Motta (PSOL).