Em tramitação há mais de dez anos na Câmara, o projeto que visa regularizar a prática do lobby está pronto para ser votado a qualquer momento. A versão atual do texto, aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara em dezembro de 2016, tem como relatora a deputada federal Cristiane Brasil, do PTB do Rio de Janeiro. O texto visa, por exemplo, identificar os profissionais que circulam em órgãos do Executivo, Legislativo e Judiciário em defesa de seus interesses, sejam eles públicos ou privados.

No início de abril, Cristiane Brasil apresentou um texto substitutivo com mudanças sugeridas por parlamentares. A atual norma propõe que os defensores do lobby poderão solicitar seu credenciamento para exercer suas atividades.

“Nós da política também, até para nos relacionarmos com o privado hoje, precisamos de segurança. Precisamos nos sentir seguros de que estamos falando com as pessoas que representam esses setores e que estão fazendo o trabalho correto de relações institucionais e governamentais”.

O texto que será votado determina que a atividade dos lobistas devem ser guiadas pela “legalidade, ética e transparência”. Quem estiver credenciado deverá formalizar, por escrito, reuniões e encontros, além de informar qual entidade representam. Na opinião da relatora do projeto, a deputada Cristiane Brasil, isso garante mais transparência na relação entre as partes.

“Para o parlamentar também. Ele tem que se preocuparcom esse profissional que chega no corredor e te dá um cartão em que você não tem uma identificação clara da procedência dele. Então, nós vamos ter um portal onde os credenciados estarão claramente identificados. E isso nos dará a segurança necessária de que estamos falando realmente com a pessoa que está devidamente representando o setor e que falará do assunto que está autorizada a falar”.

O texto prevê como ato de improbidade os casos em que aconteçam doações, benefícios, cortesias ou presentes com valores econômicos. Em fevereiro, o Ministério do Trabalho incluiu o lobby no cadastro oficial de ocupações do país. A atividade foi registrada com a denominação “representante de interesses nas relações governamentais”.

Reportagem, Paulo Henrique Gomes