A OAB/RJ sediou, nesta sexta-feira (11/5) a audiência pública para a elaboração do Informe Anual sobre a Situação dos Direitos Humanos nos Estados Partes do Mercosul.

A representação brasileira no Parlamento do Mercosul (ParlaSul) entrou em contato com a Comissão Especial de Direito Comparado (Cedco) para a realização do evento na Seccional. O encontro teve como tema central Sistema carcerário e violência urbana. O ParlaSul é composto por membros de Brasil, Argentina, Venezuela, Paraguai e Uruguai.


O deputado federal e membro titular da Comissão de Cidadania e Direitos Humanos (CCDH) da Parlasul Jean Wyllys (Psol) e o presidente da Cedco da OAB/RJ, Carlos Augusto Ávila, conduziram o evento, que está disponível, na íntegra, no canal da Seccional no YouTube.

Os depoimentos contundentes, na tribuna, da mãe de Marielle Franco, Marinete da Silva, e de Eliane Vieira, das Mães de Manguinhos, mulheres cujos filhos foram mortos por policiais lotados na UPP daquela região da cidade, emocionaram a plateia. Em conversa com a imprensa antes de começar o evento, a mãe da vereadora do Psol assassinada em março junto com o motorista, Anderson Gomes, disse que “custa a acreditar” que o mandante do crime seja o colega de Câmara de Vereadores Marcello Siciliano, conforme apontou o depoimento de uma testemunha-chave do caso esta semana ao jornal O Globo. “Isso não é coisa de um ser humano”.

Vestida de branco, Marinete recebeu condolências dos palestrantes e falou de improviso: “Foi uma brutalidade o que fizeram com minha filha. Se não fosse pela minha fé, eu não estaria aqui. É muito duro. Estou tendo que criar uma adolescente de 19 anos (referindo-se à filha de Marielle, Luyara Santos). Marielle morreu pelo sonho dos outros”.

 

Mãe de Marielle Franco – Foto: Bruno Marins

Entre os nomes que compuseram as mesas estavam o senador do PT Humberto Costa, o vice-presidente da Comissão de Segurança Pública da OAB/RJ, Renato Teixeira de Souza, a secretária-geral da Cedco da OAB/RJ, Fabiana Raslan, a presidente da CCDH-Parlasul da Argentina, Cecília Britto, a socióloga Julita Lemgruber, um dos fundadores da Central Única das Favelas (Cufa) Anderson Quack, o advogado criminalista James Walker Junior e o defensor público federal Thales Arcoverde Treiger. 


Treiger narrou os horrores do sistema carcerário brasileiro, que passam por tortura, convívio dos presos com roedores nas celas e alimentos estragados. “O sistema carcerário do Peru ganha do nosso ‘de lavada’. Boa parte da população não tem acesso a direitos humanos”, comparou ele.

Foto: Bruno Marins
Foto: Bruno Marins


Jean Wyllys contou que estava planejada uma visita da comitiva internacional à favela da Maré e ao Vidigal, que foi cancelada por causa dos conflitos. “A morte de Marielle e de Matheusa Passarelli (estudante de artes de Uerj de 21 anos morta por traficantes, na Zona Norte) estão ligadas à crise mais profunda da democracia brasileira. Nossos problemas residem no cadáver insepulto da escravidão no Brasil”, pontuou ele.

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