Os megablocos que desfilam pelas ruas do Rio no Carnaval serão transferidos para o Centro da cidade em 2019. A decisão foi anunciada nesta terça-feira (13/03) pelo assessor jurídico da Riotur, Christian Teixeira, em audiência promovida pela Comissão de Turismo da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

A mudança levou em conta a realização do bloco A Favorita, em Copacabana, no dia 10 de fevereiro, que atraiu centenas de milhares de foliões e também reclamações de moradores da Zona Sul. “A gente viu um transtorno enorme no bairro durante o Carnaval passado. O evento ainda poderá acontecer, mas em um local melhor”, destacou Teixeira. A região central da cidade foi avaliada como a mais adequada por conta do menor número de moradores, a maior disponibilidade de modais de transporte e a capacidade das estações.

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No encontro, representantes dos órgãos de segurança e monitoramento, como a Polícia Militar e a Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio (CET-Rio), criticaram a discrepância entre o público presente nos blocos e a previsão da Riotur. A Favorita, por exemplo, levou quase 700 mil pessoas à Copacabana, o triplo do previsto, como apontou o secretário de Transporte, Rodrigo Vieira.

Em resposta, Christian Teixeira afirmou que este ano a inscrição dos blocos acontecerá mais cedo, através da internet, e os organizadores terão mais tempo para enviar as informações solicitadas. A previsão de público, no entanto, terá como base o número de foliões presentes na edição do ano anterior.

Impacto nos diferentes modais

A Favorita aconteceu no mesmo horário de outro bloco famoso por arrastar multidões, o Cordão do Bola Preta, no Centro. No dia, segundo o secretário Rodrigo Vieira, o metrô recebeu 854 mil passageiros, aproximadamente 70 mil a mais do que no ano anterior. O grande número de foliões no sábado de Carnaval impactou o funcionamento das linhas do metrô, mas o atraso no intervalo de partida dos veículos, que chegou a aumentar dois minutos a cada estação da Linha 2, se intensificou pelo mau uso do transporte. De acordo com Daniel Habib, diretor de operações da MetrôRio, o serviço chegou a ficar paralisado por 30 minutos por causa de invasões nos trilhos, além da interdição, por parte dos passageiros, das portas de entrada. Em todo o Carnaval, foram registrados 245 equipamentos danificados.

Apesar disso, Habib destacou que o aumento de passageiros durante todo o Carnaval foi discreto, de apenas 10% em relação a 2017. “Nós temos capacidade para crescer e quebrar recorde após recorde, mas com organização”, disse, ao defender uma melhor distribuição dos blocos ao longo dos dias de folia.

Também no sábado, de acordo com a Setrans, o sistema de trens recebeu 30 mil passageiros a mais que em 2017. No modal, em todo o Carnaval, foram registrados 19 casos de vandalismo, além de 70 janelas quebradas. Já as barcas transportaram, no sábado, 40 mil pessoas para a Ilha de Paquetá, número dez vezes superior à quantidade de moradores. O secretário Vieira declarou a impossibilidade do modal de suprir essa demanda nos próximos anos. Por isso, o deputado Carlos Osorio (PSDB), que presidiu o encontro, sugeriu a adoção de um tíquete específico para Paquetá durante os dias de Carnaval, algo similar ao que ocorre no metrô durante o Reveillon.

Ordem e segurança

A atuação da Guarda Municipal e da Polícia Militar também foi abordada já que recebeu críticas dos foliões e da mídia. De acordo com o assessor especial da Guarda, Cláudio Roberto Figueiredo, 5.525 agentes fizeram o ordenamento urbano de 215 dos 473 blocos autorizados pela Riotur. Outros 918 homens prestaram auxílio específico à organização do trânsito.

Já a Polícia Militar, através da tenente coronel Luciana Rodrigues, do Batalhão de Policiamento em Áreas Turísticas, afirmou que a atuação da corporação foi limitada devido ao número insuficiente de servidores e ao público incompatível com a previsão da Riotur. A representante não apresentou dados numéricos da operação.

Em resposta, o deputado Carlos Osorio (PSDB) disse que solicitará, em conjunto com a Comissão de Segurança Pública da Casa, uma reunião com o interventor federal, general Walter Braga Neto, para discutir as ações no Carnaval de 2019. “Nós sabemos que a grande causa do problema é a desarticulação e a falta de investimento”, disse. “Mesmo a intervenção indo até o final do ano, todo o planejamento será feito até lá”, finalizou.