Duas semanas podem ser muito ou pouco tempo de acordo com a perspectiva de cada um. São os casos de vários clubes do futebol europeu e suas estrelas, desejosas de mudar de equipe antes do fechamento da janela de transferências como Kylian Mbappé, do Monaco, Philippe Coutinho, do Liverpool, e Diego Costa, do Chelsea.

Boa parte dessa insatisfação tem relação direta com a ânsia do Barcelona de repor a perda de Neymar, adquirido recentemente pelo Paris Saint-Germain, que pagou a cláusula de rescisão do contrato do jogador brasileiro, de 222 milhões de euros (aproximadamente R$ 827 milhões, na cotação atual), na maior transação da história do futebol.

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Desde a saída de Neymar, adquirir Philippe Coutinho e Ousama Dembelé se tornou uma obsessão para o Barcelona, especialmente após a pressão sobre a diretoria crescer depois das derrotas para o Real Madrid nos dois jogos da Supercopa da Espanha. E nenhum deles vem sendo utilizado nos seus clubes diante do impasse que se tornou o futuro de ambos.

A situação de maior conflito envolve Dembelé. O Borussia Dortmund recusou a primeira oferta do Barcelona pelo atacante. E, sem autorização, o jogador deixou de frequentar os treinamentos, o que provocou críticas públicas até dos seus companheiros no clube alemão, que estaria exigindo 150 milhões de euros (aproximadamente R$ 556 milhões) pata cedê-lo.

O Liverpool parece fazer jogo ainda mais duro para vender Philippe Coutinho. O clube inglês já recusou diversas ofertas do Barcelona pelo meia-atacante, que foi contratado em janeiro de 2013, sendo que a última proposta teria sido de estimados 118 milhões de libras (R$ 479 milhões). O impasse, porém, o deixou de fora de compromissos do Campeonato Inglês e dos playoffs da Liga dos Campeões da Europa. Mas a versão do clube é de que ele não atua por causa de uma lesão nas costas.

Já Mbappé foi uma das grandes revelações e destaque do futebol europeu na última temporada, tanto que, com apenas 18 anos, foi decisivo para a conquista do título do Campeonato Francês pelo Monaco. O clube, porém, segue resistindo a negociá-lo, enquanto o técnico português Leonardo Jardim o deixou no banco de reservas no segundo compromisso no torneio nacional e nem o relacionou para o duelo da última sexta-feira contra o Metz.

Após surpreender ao avançar até as semifinais da Liga dos Campeões na última temporada, o Monaco vem sendo alvo da cobiça de vários clubes nesta janela. O clube francês abriu mão de vários jogadores, como o português Bernardo Silva e Benjamin Mendy, ambos vendido ao Manchester City, e Tiemoué Bakayoko, negociado com o Chelsea.

Mas a situação de Mbappé parece ser diferente. O clube francês rejeitou ofertas milionárias do Real Madrid e agora resiste ao interesse do Paris Saint-Germain, disposto a tornar o jovem atacante o novo companheiro de Neymar e em abalar o setor ofensivo de um dos seus principais rivais na luta pelo título do Campeonato Francês.

O problema envolvendo Diego Costa é mais de ordem comportamental Após seguidos desentendimentos com o técnico Antonio Conte durante a campanha da conquista do título do Campeonato Inglês na última temporada, o italiano decidiu que não pretende mais contar com o brasileiro naturalizado espanhol no seu elenco.

Diego Costa tem um destino preferido: o Atlético de Madrid. O clube espanhol, porém, não pode registrar reforços na atual janela de transferências por causa de uma punição imposta pela Fifa e a oferta realizada também não agradou ao Chelsea, que deseja ver o seu atacante treinando com o time B. O centroavante, porém, segue no Brasil e tem trocado farpas com Antonio Conte pela imprensa. O Everton e o Milan também estariam interessados na sua contratação.

Sem o mesmo status de Dembelé, Diego Costa Mbappé ou Philippe Coutinho, um outro jogador também quer trocar de clube, ainda que sem a anuência do seu atual. O atacante croata Nikola Kalinic deixou de treinar na Fiorentina, sem permissão. Ele desperta o interesse do Milan, que não tem o mesmo poder de fogo de Paris Saint-Germain ou Barcelona, mas tem investido alto no mercado italiano para tentar ameaçar a hegemonia da Juventus no país.

Já o atacante chileno Alexis Sánchez está em seu último ano de contrato com o Arsenal e as negociações para a renovação do vínculo não tem avançado, o que abre a possibilidade para uma saída gratuita ao término da temporada, ainda mais que o clube londrino não está disposto a negociá-lo nesse momento. Com tantas incertezas, as últimas semanas da janela de transferências devem ser bem agitadas.

Estadão Conteúdo