Laila Garin lança seu 1º disco com A Roda

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Atriz elogiada e dona de uma bela voz – habilidades essas já vistas em plena cumplicidade em espetáculos como Elis, A Musical e Gonzagão, A Lenda -, Laila Garin se notabilizou nos palcos e na telinha, mas queria se dedicar ao primeiro disco da carreira dentro do seu tempo. Ela lembra que, assim que o musical sobre Elis Regina chegou ao fim, recebeu propostas de empresários que se ofereceram para cuidar de sua carreira de cantora. “Uma coisa meio megalomaníaca”, lembra-se Laila, em entrevista à reportagem. Ela desejava um começo mais despretensioso. Daí surgiu a oportunidade dos shows no histórico Beco das Garrafas, no Rio.

“Apesar de ser um lugar muito significativo para a música brasileira, o Beco é pequeno e informal, o palco é colado com o público. Aquilo me deu uma calma, uma experiência.”

Foram dois anos de apresentações ao lado de Ricco Viana (guitarra e violão), Marcelo Müller (baixo) e Rick De La Torre (bateria). E, com eles, formou a banda Laila Garin e A Roda. “É como Chico Science e Nação Zumbi ou Pedro Luís e A Parede. A gente quer ser despretensioso, mas a gente sonha alto ao mesmo tempo (risos)”, graceja a cantora. “A gente queria esse nome para ficar claro que não era um projeto só de uma cantora, porque a gente faz tudo junto.” E foi assim, sem atropelos, que o quarteto lança agora Laila Garin e A Roda, o disco de estreia de Laila como cantora – e que dará origem a um novo show, com direção musical de Ney Matogrosso, que será realizado nesta quarta, 16, no Rio, e na sexta, 18, em São Paulo, no Sesc Pinheiros.

Uma parte do repertório do álbum veio daquelas apresentações em que Laila dividia o palco com o trio de músicos. O show se chamou apropriadamente de Rabisco. “Porque a gente mudava o roteiro, colocava algumas músicas, tirava outras, mexia nos arranjos, via como o público ia responder.” No disco, entraram versões de As Curvas da Estrada de Santos (Roberto Carlos e Erasmo Carlos) e Baioque (Chico Buarque), com novos arranjos e a interpretação de Laila, ora vigorosa, ora delicada, que dão frescor a essas canções já bem conhecidas. Há ainda a tocante Não Me Arrependo, de Caetano Veloso, e Na Primeira Manhã, de Alceu Valença. E as inéditas Sonhos Pintados de Azul, de Dani Black, e Não Me Deixe, de Juliano Holanda. Com L’Accordeoniste (Michel Emer), Laila faz sua conexão com a parte francesa de sua família – a artista é filha de pai francês e mãe baiana. “(As músicas têm) a cara da gente, mas isso aconteceu. Eu não ficava pensando: tenho que fazer diferente. Porque, às vezes, você vai buscar tanto essa coisa diferente que paralisa um pouco e acaba até tirando a emoção”, diz ela. “São só três instrumentos, o que já dá uma diferença na identidade dos arranjos originais dessas músicas, e tem algumas inéditas.”

Laila Garin e A Roda, o disco, tem produção musical assinada por A Roda, mas traz Nelson Motta e Rodrigo Campello como produtores convidados. “Desde que Nelsinho conheceu meu trabalho, foi superentusiasta, me convidou para fazer teste para o musical sobre Elis, e sempre me disse: quero estar em seu primeiro disco Como esse disco é bem autoral – não no sentido das composições, porque não somos compositores, mas no sentido de os arranjos serem feitos coletivamente -, a gente fez questão de fazer a produção musical. Mas temos os produtores convidados. Nelsinho produziu Baioque e As Curvas da Estrada de Santos, deu opiniões gerais sobre todos os arranjos.”

E como foi para eles chegar a essa seleção de oito faixas a partir do repertório do show Rabisco, naturalmente mais amplo? “Eram as músicas e os arranjos que mais representavam esse som que a gente quer. Não Me Deixe, Não (Ne Me Quitte Pas), versão de Adriana Falcão, não está no disco ainda, mas vai ser lançada como um single depois. Tem o Baioque, o arranjo ficou muito nosso; Na Primeira Manhã, de Alceu, parece uma música de trilha de filme, é quase uma atmosfera; a música de Juliano Holanda, eu já tinha cantado no seriado da Globo Amorteamo e a gente refez o arranjo. Acho que o critério foi: essas canções representam a gente.”

Estadão Conteúdo

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